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Primeira medalhista do judô feminino está perto de voltar aos Jogos

Ketleyn Quadros comemora a medalha de bronze nas Olimpíadas de Pequim, em 2008 (Paul Gilham/Getty Images)

O judô brasileiro tem 22 medalhas olímpicas, sendo a primeira em 1972 com Chiaki Ishii. Mas a primeira obtida pelas mulheres só ocorreu em 2008, nos Jogos de Pequim, com o surpreendente bronze de Ketleyn Quadros de apenas 20 anos, na categoria 57 kg. Mas somente agora, as vésperas de Tóquio 2020, ela poderá disputar sua segunda Olimpíada. 

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De 2009 até 2016, foram poucos os resultados internacionais de destaque da atleta brasiliense: um ouro numa etapa de Copa do Mundo em Madri em 2011, uma prata no Grand Slam de Moscou em 2013 e dois títulos de Grand Prix no mesmo ano. Seguindo nos 57kg perdeu a vaga para Rafaela Silva nos Jogos de 2012 e já nos 63 kg foi superada por Mariana Silva em 2016. No início do atual ciclo olímpico, os resultados de Ketleyn melhoraram e ela se consolidou na categoria. Hoje ocupa o 7º lugar no ranking olímpico e é nome quase certo para aos 32 anos, voltar a Olimpíada. Ela tem mais de 700 pontos de vantagem para a principal brasileira rival na categoria, Alexia Castilhos. O ranking olímpico será fechado no final de maio do ano que vem. 

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O mês de outubro foi incrível para Ketleyn, com duas medalhas em Grand Slam: ouro do evento em sua cidade Brasília e bronze em Abu Dhabi.  Para a atleta, um dos principais fatores no atual momento foi a mudança de clube: “A troca para a Sogipa sob a liderança do sensei Kiko me deu outra motivação. Em 2008, eu ainda era júnior. Hoje sou uma atleta madura que adquiriu inúmeras experiências. Mas o sonho olímpico continua o mesmo. Quero confirmar a vaga e poder participar com chance de medalha”. 

Mesmo ao longo de vários anos sem resultados positivos, Ketleyn conta que nunca pensou em desistir: “Sou otimista e amo a modalidade que escolhi. Nem tive tempo para pensar em parar. Estava sempre treinando. Nos momentos difíceis, o foco era a solução”.  

Ney Wilson, gerente de alto rendimento da Confederação Brasileira de Judô, conta que a história da convocação de Ketleyn para Pequim 2008 foi muito difícil. “Os jogos eram em agosto e somente em abril ela conquistou a vaga na concorrência com a Danielle Zangrando, que já tinha medalha em mundial.  Eu e a Rosicleia Campos (técnicos na época) tomamos a decisão que se mostrou acertada. Após isso, a Rosicleia se consolidou como treinadora da seleção feminina”. 

Para Ney, após uma conquista olímpica, todo atleta passa por dificuldades e perde um pouco o foco “ A Ketleyn em 2008 não estava amadurecida emocionalmente para lidar com aquele resultado, ainda mais com o pioneirismo da medalha. Passou por um processo de troca de categoria entre duas Olimpíadas, no mesmo momento em que surgia a Rafaela Silva nos 57kg”. Mas hoje Ketleyn amadureceu, conhece melhor o corpo,  sabe controlar a carga de treinos e lidar com pequenas lesões. Quer confirmar a vaga olímpica para encerrar a carreira de forma brilhante”. 

Antes da medalha olímpica de Ketleyn, o Brasil tinha obtido 3 bronzes em mundiais no feminino: Daniele Zangrando, em 1995, e Edinanci Silva, em 1997 e 2003. Após o bronze em 2008, o judô feminino do Brasil virou potência. Sarah Menezes foi campeã olímpica em 2012, Rafaela Silva em 2016, além dos bronzes de Mayra Aguiar em 2012 e 2016. Em mundiais, outras 15 medalhas. 

A categoria dos 63 kg tem como principal destaque a francesa Clarisse Agbegnenou, atual tricampeã mundial e líder do ranking olímpico. Na sequência a eslovena Tina Trstenjak, atual campeã olímpica. Depois a japonesa Miku Tashiro, duas vezes vice-campeã mundial e a alemã Martyna Trajdos, bronze no último mundial. Ketleyn nunca venceu a alemã e a eslovena e não enfrentou a japonesa e a francesa. 

Apesar do retrospecto pouco animador, a brasileira diz que não há um planejamento para tentar chegar como cabeça de chave e evitar confronto contra essas atletas, antes de uma semifinal da Olimpíada: “Meu foco é minha melhora diária. Pretendo fazer o maior número de treinamentos e competir para que seja alinhado o melhor caminho. Hoje os combates estão tão disputadas, que quem erra menos cria vantagem. Todas essas atletas serão lutas duríssimas”.

Ketleyn diz que o apoio financeiro piorou neste ciclo olímpico. Ela tem hoje o patrocínio da SNC, empresa de suplementos, além do apoio do seu clube, a Sogipa. 

Pela atualização do ranking olímpico neste início de novembro, se a Olimpíada começasse agora, o Brasil teria representantes nas 14 categorias do judô, além da disputa por equipes mistas. 

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