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Kaunda, ex-presidente da Zâmbia e um dos últimos pais fundadores da África, morre aos 97

·3 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Kenneth Kaunda, ex-presidente da Zâmbia e um dos últimos "pais fundadores" da África, morreu nesta quinta-feira (17) aos 97 anos.

Ele estava internado num hospital da capital, Lusaka, desde o início da semana, para se tratar de uma pneumonia. Segundo assessores, a causa da morte não foi Covid-19.

Conhecido como "KK", ele presidiu a ex-colônia britânica, de 19 milhões de habitantes, durante 27 anos, a partir da independência, em 1964.

Foi um dos primeiros líderes africanos a decidir deixar o poder voluntariamente, em 1991, o que lhe rendeu admiração internacional e apagou um pouco a má impressão deixada por seu governo autoritário, em que chegou a suprimir partidos de oposição.

Na vida pós-Presidência, Kaunda era visto como uma figura respeitada e um defensor da conciliação e da moderação política. No enterro do sul-africano Nelson Mandela, em 2013, foi saudado como um ícone da libertação do continente.

"Em nome de toda a nação, rezo para que a família Kaunda encontre conforto neste momento em que lamentamos a morte de nosso primeiro presidente e verdadeiro ícone africano", disse o atual presidente da Zâmbia, Edgar Chagwa Lungu.

Nascido na antiga colônia da Rodésia do Norte, Kaunda era filho de um missionário da Igreja da Escócia. Na década de 1950, ele se juntou ao nascente movimento local de descolonização, parte de um fenômeno que se espalhava rapidamente por toda a África.

Chegou a ser preso pela autoridade colonial britânica e liderou atos de desobediência civil, que depois levariam à independência. Na primeira eleição do novo país, tornou-se presidente.

Como ocorreu com a maioria dos líderes dos novos Estados africanos, abraçou o socialismo, nacionalizando empresas e terras e sufocando a oposição. O regime, no entanto, nunca chegou ao grau de violência do vizinho Zimbábue, comandado por Robert Mugabe.

Kaunda também teve importância fundamental no apoio à resistência ao regime do apartheid sul-africano, abrindo as portas do país para abrigar líderes de oposição ao regime segregacionista branco que estavam exilados.

No início dos anos 1990, a crise econômica gerou manifestações de rua, e Kaunda se viu forçado a trazer de volta o multipartidarismo. Na primeira eleição sob o novo modelo, o pai da pátria foi humilhado com apenas 24% dos votos e aceitou a derrota.

Passou então a se dedicar a defender a democracia no continente e a usar seu prestígio internacional para cobrar de países ricos que aumentassem a ajuda humanitária à África, especialmente para combater a Aids.

Ao mesmo tempo, dizia que os africanos deveriam buscar soluções para seus próprios problemas e parar de culpar apenas o processo colonial, como disse numa entrevista ao jornal Folha de S.Paulo em 2010.

"Temos que ser corajosos para dizer que nem toda a culpa deve ser colocada nos ombros dos colonizadores. Parte dela tem que estar nos nossos ombros", afirmou.

Com a morte de Kaunda, desaparece praticamente toda a geração que liderou o processo de independência africana no século passado, que incluiu nomes como Agostinho Neto (Angola), Julius Nyerere (Tanzânia), Leopold Senghor (Senegal), Amilcar Cabral (Guiné Bissau), Samora Machel (Moçambique), Kwame Nkrumah (Gana) e Mugabe (Zimbábue), entre outros.

Ainda vivo resta Sam Nujoma, primeiro presidente da Namíbia, que tem 92 anos.

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