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Kassab é denunciado sob acusação de caixa 2 e corrupção por suposta propina da JBS

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*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 05.11.2018 - Gilberto Kassab (PSD) (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 05.11.2018 - Gilberto Kassab (PSD) (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Promotoria Eleitoral de São Paulo apresentou denúncia nesta quinta-feira (25) contra o presidente do PSD, Gilberto Kassab, na qual o acusa de corrupção, lavagem, associação criminosa e caixa dois relacionado ao frigorífico JBS.

O Ministério Público afirma que Kassab, ex-prefeito de São Paulo de 2006 a 2012, recebeu indevidamente do grupo empresarial R$ 16 milhões de 2014 a 2016 por meio da empresa Yape Assessoria e Consultoria, na qual ele tinha participação societária.

A investigação partiu da delação premiada, firmada em 2017, de executivos da JBS, como um dos donos da companhia, Wesley Batista.

O empresário na ocasião disse que remunerava o ex-prefeito por meio de contratos superfaturados de aluguel de caminhões com a Yape.

Kassab chegou a ser alvo de buscas em 2018, quando ainda era ministro do governo Michel Temer (MDB), pedidas à época pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

Na época, ele também já estava escalado para integrar o secretariado do hoje governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Com a repercussão do caso, acabou se licenciando do cargo e, no ano passado, se desligou definitivamente.

Também foram denunciados Renato Kassab, irmão do político e sócio da Yape, e Flávio Castelli Chueri, ex-tesoureiro do PSD.

Segundo o Ministério Público Eleitoral, os pagamentos ocorreram no contexto de relações do grupo empresarial com agentes públicos, "com o objetivo de assegurar boas relações, bem como viabilizar a captação de recursos para o financiamento dos seus projetos de implantação e expansão, em diferentes ramos de atividade da economia".

Na época dos fatos, Kassab concorreu a senador por São Paulo, mas não se elegeu. Entre 2015 e 2016, ele foi ministro das Cidades no governo Dilma Rousseff. De 2016 a 2018, comandou a pasta da Ciência, Tecnologia e Comunicações na gestão Temer.

OUTRO LADO

O ex-prefeito sempre negou todas as acusações. Diz que a firma familiar investigada recebeu recursos lícitos e prestou serviços para o grupo dono da JBS.

"Os valores foram regularmente recebidos em decorrência de uma atividade empresarial lícita que não guarda relação com eventuais funções públicas nem com atividade político-partidária exercidas."

Também afirma que se afastou do quadro societário da Yape antes de voltar a assumir cargos públicos, em 2015, "não tendo recebido quaisquer valores relacionados a esses contratos após meados de 2014".

Ele diz reafirmar "a lisura de seus atos e total confiança na Justiça, com a certeza de que restará comprovada a correção de todos os atos apurados".