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Justiça manda que Ceará cuide da saúde mental das Mães do Curió

Ponte Jornalismo
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11 pessoas foram mortas e 7 ficaram feridas na Chacina do Curió | Foto: Reprodução/Facebook
11 pessoas foram mortas e 7 ficaram feridas na Chacina do Curió | Foto: Reprodução/Facebook

Por Caê Vasconcelos

Sobreviventes e familiares de vítimas da Chacina do Curió, segunda maior chacina da história do Ceará, devem receber atendimento psicológico e psiquiátrico do Estado do Nordeste do Brasil.

É o que decidiu o juiz Francisco Eduardo Torquato Scorsafava, da 10ª Vara da Fazenda Pública, do Tribunal de Justiça do Ceará, em 2 de fevereiro. A decisão em caráter liminar aconteceu após uma Ação Civil Pública assinada por 17 defensores públicos do Ceará.

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Os crimes, conhecidos como Chacina do Curió ou Chacina da Grande Messejana, ocorreram na madrugada de 12 de novembro de 2015. Em menos de seis horas, 11 pessoas foram mortas e sete ficaram feridas, em ações ocorridas nos bairros Curió, Alagadiço Novo, São Miguel e Messejana, em Fortaleza, capital do Ceará.

Foram mortos naquela madrugada: Álef Sousa Cavalcante, 17, Antônio Alisson, 17, Marcelo da Silva Mendes, 17, Patrício João Pinho Leite, 16, Jandson Alexandre de Sousa, 19, Jardel Lima dos Santos, 17, Francisco Enildo Pereira Chagas, 41, Valmir Ferreira da Conceição, 37, Pedro Alcântara Barroso 18, Renayson Girão da Silva, 17 anos, e Marcelo da Silva Pereira, 17.

Segundo o Ministério Público Estadual do Ceará, 45 policiais militares promoveram a matança após a morte do PM Valtermberg Chaves Serpa, um dia antes, ao intervir em uma tentativa de assalto contra a esposa, em Lagoa Redonda.

Em 2016, a Justiça do Ceará aceitou a denúncia contra 44 dos 45 PMs. Desses, 34 devem ir a júri popular, 10 foram considerados impronunciados, ou seja, sem provas suficientes para irem a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Em entrevista à Ponte, a cuidadora de idosos Edna Carla Souza Cavalcante, 49 anos, mãe de Álef, líder dos movimentos Mães do Curió e Mães da Periferia de Vítima Por Violência Policial do Estado do Ceará, contou a importância de um atendimento psicológico que ocupe o tempo das mães, para além de apenas medicá-las.

“O atendimento é muito importante. É bom a gente conversar e trocar vivências? É. Mas é bom uma ajuda profissional, que vai lá e dá conselhos. Essa ajuda psicológica deve ser mais do que remédios, deve ser uma terapia ocupacional. Queremos um tratamento digno”, aponta.

“Estamos buscando uma garantia de tratamento digno para as mães da periferia. As mães estão abandonadas, sem ninguém para apoiar, para socorrer. O Estado abandonou as mães, que estão perturbadas, mas estão assim por causa do Estado. Se hoje elas estão em depressão é por conta do Estado que matou os nossos filhos e agora quer que a gente morra”, completa.

Edna reforça que, antes de terem seus filhos arrancados pelo braço armado do Estado, as mães não precisavam de nenhum atendimento. “Se a gente precisa, é porque o Estado fez a gente precisar. A gente só consegue lutar por justiça se estivermos bem, estivermos firmes. Precisamos estar bem para lutarmos”.