Mercado fechado

Justiça isenta Bonner e Renata e puxa orelha de Flávio Bolsonaro

Patrick Monteiro
·2 minuto de leitura
Renata Vasconcellos volta ao 'JN' nesta quarta (Globo / João Cotta)
Justiça isentou William Bonner e Renata Vasconcellos de denúncia de Flávio Bolsonaro (Globo / João Cotta)

Parece que não está nada bom o dia para o senador Flávio Bolsonaro (Republicamos/RJ). A Justiça do Rio de Janeiro concedeu uma decisão favorável a William Bonner e Renata Vasconcelos para uma ação aberta pelo congressista.

Segundo informações publicadas pelo site Notícias da TV, a juíza Maria Tereza Donatti, decidiu que a denúncia criminal contra os jornalistas não deveria existir e ordenou o “trancamento” do inquérito policial, que segue em curso.

Leia também:

Para a decisão, um habeas corpus a favor da Globo, a juíza apontou as falhas no inquérito. “Tudo teve início quando Flavio Nantes Bolsonaro ofereceu notícia de crime perante a Delegacia de Repressão a Crimes de Informática, alegando que os pacientes [Bonner e Renata] praticaram desobediência nos dias 4 e 5 de novembro de novembro de 2020”, iniciou.

A magistrada continua: “Conforme o dito popular, 'pau que nasce torto, morre torto'. Logo no início, nada justificava a instauração do procedimento na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Informática, criada para apurar 'infrações penais praticadas com o uso ou emprego de meios e recursos tecnológicos de informação e/ou mediante o uso da rede mundial de computadores.”

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Maria Tereza ainda apontou os erros da autoridade policial. Ela aponta que ainda que os âncoras houvessem desobedecido uma decisão judicial de não falar sobre o processo em que Flávio é acusado de peculato enquanto era deputado, a delegacia em questão não poderia dar prosseguimento na denúncia.

“Também é de se estranhar a própria autoridade policial tenha figurado como 'testemunha do fato', como constou do registro da ocorrência”, relatou. E continua: “sinais de que a investigação versava sobre fato atípico e que ação da autoridade poderia conter caráter político e violador da liberdade de imprensa.”

A juíza conclui afirmando que a denúncia é uma tentativa de cercear a liberdade de imprensa. “Faço minhas as considerações do MP, no sentido de que o fato divulgado pelos âncoras (a oferta da denúncia contra o Senador) é verdadeiro; não há indícios de violação de sigilo; a denúncia atribui os crimes ao então deputado estadual, no seu gabinete, o que desperta o interesse público e, finalmente, deve prevalecer a liberdade de informação, como assegura a nossa Constituição”, conclui.