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Justiça Eleitoral determina exclusão de 8 vídeos do "Mamãe Falei" contra o Padre Júlio Lancellotti

João Conrado Kneipp
·4 minutos de leitura
Arthur do Val afirmou que o Patriotas foi o único partido a aceitar sua candidatura à Prefeitura de São Paulo. (Foto: Reprodução/Yahoo Notícias)
Arthur do Val é candidato à Prefeitura de São Paulo pelo Patriotas. (Foto: Reprodução/Yahoo Notícias)

A Justiça Eleitoral de São Paulo determinou a exclusão de oito postagens feitas por Arthur Do Val, o “Mamãe Falei”, candidato à Prefeitura de São Paulo pelo Patriotas, com acusações contra o Padre Júlio Lancellotti.

Com a decisão liminar, proferida nesta quinta-feira (1º), Google e Facebook serão intimados para retirarem 8 vídeos postados nos canais do candidato nas redes sociais YouTube, Facebook e Instagram nas próximas 24 horas, sob pena de multa diária.

Em resposta, a defesa de Do Val classificou a decisão como um ato claro de "censura" e afirmou que irá protocolocar um recurso.

Júlio Lancellotti é da pastoral do povo de rua e ajuda pessoas em situação de vulnerabilidade em São Paulo, principalmente na região da Cracolândia. Um dos focos da campanha eleitoral de Do Val é justamente os ataques à área onde ficam os dependentes químicos e ocorre parte do tráfico de drogas na capital paulista. Entre as promessas, Do Val cita acabar com a Cracolândia.

A decisão do juiz eleitoral Emílio Migliano Neto, da 2ª Zona Eleitoral de São Paulo, foi motivada por um pedido feito pelo Ministério Público Eleitoral. Na avaliação do magistrado, as publicações de “Mamãe Falei” incorreram em crimes de injúria e difamação contra o sacerdote, além de configurarem propaganda eleitoral antecipada.

O pedido do MP Eleitoral cita vídeos no qual o então pré-candidato se refere ao Padre Júlio como “cafetão da miséria”, “fraude”, “farsa” e como alguém que promovia “um mal terrível pras pessoas e pra cidade”.

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Em outro vídeo anexado pelos promotores, Do Val insinua que Lancellotti teria praticado ato de improbidade administrativa, sugerindo que o padre seria funcionário fantasma de uma unidade da instituição Fundação Casa, antiga Febem.

As postagens, segundo a decisão da Justiça Eleitoral, configuraram propaganda eleitoral antes do período autorizado, uma vez que Do Val obteve “maior visibilidade perante seu eleitorado” ao criticar as ações sociais promovidas pelo padre.

“É evidente que as condutas descritas, ainda que dirigidas à pessoa alheia ao pleito eleitoral, significam risco à lisura e igualdade da disputa, na medida em que restou demonstrado que após as críticas feitas ao Padre Lancelotti, o representado Do Val obteve maior visibilidade perante seu eleitorado, adquirindo notoriedade na mídia por criticar abertamente figura pública com apelo para determinado nicho político contrário ao seu”, decidiu Migliano Neto.

Os vídeos citados foram postados nas três redes de “Mamãe Falei” entre 15 e 18 de setembro. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) permitiu, neste ano devido à pandemia do novo coronavírus, que a realização de propaganda eleitoral ocorresse a partir de 26 de setembro

O magistrado relaciona, inclusive, ameaças sofridas pelo clérigo com as críticas “pejorativas” e “desonrosas” feitas pelo candidato do Patriotas.

“Ademais, os termos utilizados pelo representado em suas manifestações ultrapassam a mera crítica política, apropriada ao debate eleitoral saudável. Ao contrário, configuram desnecessária atribuição de características pejorativas, desonrosas que acabam por inflamar o ânimo dos eleitores. Inclusive, há nos autos provas de que Lancelotti teria sofrido ameaça”, finaliza o juiz.

OUTRO LADO

Coordenador de campanha de Do Val, o advogado Rubens Alberto Gatti Nunes Filho afirmou ao Yahoo Notícias que irá recorrer da decisão judicial, que classificou como “censura”, e voltou a chamar o eclesiástico de “farsa”.

“Existe um lobby absurdo que não permite falar sobre a farra que acontece na Cracolândia e essa farsa que é o Julio Lancellotti. É lastimável ver um órgão tão respeitado como o MP - e pior, com o Judiciário - prestar este desserviço em prol de uma conduta que mantém cidadãos reféns do vício e do tráfico. Iremos recorrer da decisão. Nenhuma censura será tolerada”, afirmou o advogado.

PEDIDO DE DESCULPAS DO PARTIDO

Após a repercussão dos vídeos e das acusações, o presidente estadual do Patriotras, Ovasco Resesente, ligou para o padre Júlio Lancellotti para pedir desculpas. A informação foi revelada pelo Estadão.

No canal que tem no YouTube, do Val chamou o padre de “cafetão da miséria”, além de ter critico o pároco em entrevistas recentes.

“Eu pedi que o Ovasco manifestasse a opinião do partido publicamente sem briga e sem violência. Também pedi que ele ligasse para Dom Odilo, que ficou perplexo com as acusações do Arthur”, disse o padre ao Estadão.

Na última terça-feira, 14, o padre Júlio Lancellotti contou nas redes sociais que foi xingado na rua por um motoqueiro. Ele ainda afirmou que, após os ataques de Arthur do Val, as ameaças a ele aumentaram.