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Justiça de SP arquiva inquérito que apurava extorsão na briga da J&F com a Paper

·3 minuto de leitura
**ARQUIVO**SÃO PAULO, SP, 29.08.2013: Os irmãos empresários Wesley Batista e Joesley Batista. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
**ARQUIVO**SÃO PAULO, SP, 29.08.2013: Os irmãos empresários Wesley Batista e Joesley Batista. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça de São Paulo determinou o arquivamento do inquérito policial que apurava o envolvimento do grupo indonésio Paper Excellence na articulação de uma organização criminosa para prejudicar a J&F Investimentos, controladora da gigante das carnes JBS.

As duas empresas travam uma disputa arbitral de R$ 15 bilhões e o controle da Eldorado Papel e Celulose. A Paper Excellence e a J&F dizem não comentar o assunto.

Em fevereiro, a holding que administra os negócios dos irmãos Joesley e Wesley Batista, perdeu a arbitragem que definiu a conclusão do negócio de compra da Eldorado. A defesa do grupo chegou a conseguir uma liminar para barrar a transferência da empresa de papel e celulose para a Paper Excellence, mas o procedimento foi retomado há dez dias, após nova decisão judicial.

A representação criminal apresentada pela J&F levantava a suspeita de que a CA Investment, subsidiária da Paper, teria bancado um livro, publicações de reportagens e ameaças a executivos da J&F. No decorrer das apurações, foi apontada também a suspeita de que a empresa estaria envolvida no hackeamento dos servidores de emails da holding.

A juíza Marcia Mayumi Okoda Oshiro, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores, acolheu o parecer do Ministério Público Estadual, para quem não havia como continuar com a investigação por falta de provas.

Ela também escreveu, na decisão, que a investigação policial concluiu pela falta de elementos para determinar a autoria do crime.

O hackeamento do servidor de email da dona da JBS continua sendo investigado. O inquérito arquivado na 2ª vara de crimes tributários trata somente do envolvimento da Paper Excellence no crime e na suposta organização criminosa montada para prejudicar a holding.

O ataque de hackers aos servidores de email da J&F foi citado pela holding na arbitragem. O crime resultou no vazamento de troca de mensagens de executivos da empresa com seus advogados. A J&F avalia ter sido prejudicada porque parte da sua estratégia de defesa teria chegado ao conhecimento de seu rival.

O jornal Folha de S.Paulo apurou que executivos da J&F disseram ter recebido ameaças de morte para que desistissem da arbitragem e de outras ações judiciais que envolvessem a briga pelo controle da Eldorado. A acusação de invasão ao sistema de emails foi incluida no inquérito já com a investigação em andamento.

O braço de celulose dos irmãos Batista foi vendido em 2017 para o grupo asiático. A Paper Excellence chegou a comprar 49,41% da empresa. Foram pagos R$ 3,8 bilhões e o restante seria transferido para os Batista um ano depois. Antes de a negociação ser concluída, porém, os dois grupos se desentenderam quanto à liberação de garantias de dívidas.

Em entrevista em 2019, Claudio Cotrim, diretor-presidente da Paper Excellence no Brasil, também acusou a família Batista de ter solicitado R$ 6 bilhões a mais do que teria direito em contrato para finalizar o negócio.

A controladora da JBS iniciou dois processos, um cível e um criminal, contra Cotrim pelas afirmações feitas na entrevista à Folha. Nos dois casos, até agora, a empresa saiu perdedora.

Com a interrupção na negociação, a holding da família Batista ficou com 50,59% da Eldorado. Em 2018, a Paper abriu o processo de arbitragem contra a J&F. A partir da retomada da transferência das ações, o grupo indonésio Paper Excellence terá 100% da Eldorado.

No parecer encaminhado à Justiça, o MP diz que a representação criminal da J&F era megalômana. Para os promotores, a subsidiária da Paper não teria porque pressionar pela retirada da arbitragem, uma vez que ela era a autora da ação.

As acusações de que o grupo asiático teria bancado reportagens e até um livro contra a holding dos irmãos Batista, poderiam ser apuradas, segundo o MP, mas isso deveria ser discutido em ações civis entre as empresas, não em um inquérito criminal.

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