Justiça recebe denúncias de escravidão no interior de SP

A Justiça Federal de Jales abriu processo contra dois empresários hondurenhos e um sócio brasileiro, acusados de manter 24 trabalhadores rurais em regime análogo ao de escravidão em plantações de cana de açúcar dos municípios de Urânia, São Francisco e Fernandópolis, na região noroeste do Estado de São Paulo. Os empresários são acusados de aliciar os trabalhadores - entre eles um menor de idade - em cidades da Bahia e do Maranhão e trazê-los para trabalhar em condições precárias no cultivo da cana de fazendas do Estado de São Paulo.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), os hondurenhos Marco Antonio Inestroza e Marco Antonio Inestroza Júnior, e o brasileiro Adelício Francisco de Souza, donos da empresa Serviços Agrícola Monte Aprazível Ltda (CNA), teriam submetido os trabalhadores a jornadas exaustivas e a condições degradantes de trabalho, além de praticar fraudes para não pagar os direitos trabalhistas. Uma fiscalização do Ministério do Trabalho em março de 2010 encontrou os trabalhadores alojados sem condições mínimas de higiene e alimentação e sem transporte adequado.

Carvoaria

Em Bauru (SP), a Justiça Federal recebeu denúncia do MPF contra três pessoas que mantinham 11 trabalhadores em condições semelhantes às de escravos em uma carvoaria de Pirajuí, no oeste paulista. Foram denunciados um comerciante, um policial militar aposentado e dois irmãos que administravam a carvoaria, instalada na fazenda Reunidas/Santo Antônio.

De acordo com a denúncia, os trabalhadores não tinham registros em carteira e ficavam alojados em moradias rústicas, com paredes de madeira e chão batido, sem banheiro e refeitório. Além de serem submetidos a jornadas exaustivas, tinham a locomoção limitada em razão de dívidas. As condições de escravidão foram mantidas entre janeiro de 2007 e junho de 2008, quando foram resgatados. Entre eles, havia um idoso de 70 anos.

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