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Justiça peruana nega permissão a Keiko Fujimori para viajar ao Equador

·2 minuto de leitura
A candidata à presidência do Peru, Keiko Fujimori

A justiça peruana negou nesta segunda-feira (17) a permissão à candidata presidencial de direita Keiko Fujimori de viajar ao Equador para participar de uma reunião política para a qual foi convidada por Mario Vargas Llosa, prêmio Nobel de literatura.

Keiko, que enfrentará o esquerdista Pedro Castillo no segundo turno das eleições presidenciais, em 6 de junho, está proibida de viajar sem autorização judicial por estar sob investigação da promotoria por envolvimento no escândalo da construtora Odebrecht, que afetou também outros quatro ex-presidentes peruanos.

“Decide-se negar o pedido de autorização judicial para saída do país de sábado, 22, a segunda-feira, 24 de maio de 2021, formulado pela defesa técnica de Keiko Fujimori Higuchi”, diz a resolução emitida pelo desembargador Víctor Zúñiga e divulgada pelo poder judiciário.

Após a rejeição do juiz, a filha do ex-presidente preso Alberto Fujimori (1990-2000) disse que participará de forma virtual de uma conferência internacional sobre democracia para a qual foi convidada por Vargas Llosa, que acontecerá em Quito no dia Domingo, 23 de maio.

"Lamento muito que o juiz Zúñiga tenha me negado permissão para viajar a Quito, mas como sempre, sou muito respeitosa com as decisões judiciais", escreveu Keiko no Twitter, acrescentando que já confirmou com o filho do escritor, Álvaro Vargas Llosa, que participará do evento virtualmente no Equador.

O juiz escreveu na decisão que “a restrição ao direito de ser eleita da investigada Fujimori Higuchi é mínima, pois ela só está impedida de apresentar suas propostas em foro estrangeiro, embora ainda possa fazê-lo em todos os fóruns nacionais”, indica a resolução da justiça peruana.

Acrescenta que, ao negar-lhe a licença, "o risco de fuga se reduz e, sobretudo, permite ao Ministério Público continuar a controlar o cumprimento das demais restrições impostas" a Keiko, que passou 16 meses em prisão preventiva, até maio de 2020.

A promotoria se prepara para levar Keiko a julgamento por lavagem de dinheiro e outras acusações por supostas contribuições ilegais da Odebrecht.

A candidata vai contornar o processo - ou pelo menos adiá-lo por cinco anos - se for eleita presidente.

O autor de "Conversa na Catedral", de 85 anos, que mora na Espanha, deu seu apoio surpresa a Keiko em abril, depois que soube que ela e Castillo disputariam o segundo turno decisivo das eleições.

Seu apoio representou um ponto de inflexão na política peruana, depois que Vargas Llosa foi uma figura importante no anti-fujimorismo por 30 anos.

O premiado escritor afirmou que Keiko representa a possibilidade de continuar com o sistema democrático no país, já que uma vitória de Castillo "seria uma verdadeira catástrofe para o Peru".

O vencedor da eleição tomará posse em 28 de julho.

O “Fórum Ibero-americano: Desafios da liberdade” na capital equatoriana contará com a presença de políticos, intelectuais e empresários de vários países, segundo os organizadores.

fj/dga/am

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