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Justiça nega pedido de prisão do herdeiro da Samsung

Felipe Demartini

O herdeiro da Samsung, Lee Jae-yong, não vai voltar para a prisão. Nesta terça-feira (09), a justiça da Coreia do Sul negou o novo pedido dos procuradores para que o antigo vice-presidente da empresa voltasse à cadeia enquanto aguarda os resultados de uma investigação sobre fraudes contábeis. As acusações são de que ele teria manipulado valores de ações e números da empresa como forma de aumentar seu controle sobre ela.

De acordo com a conclusão da corte da capital da Coreia do Sul, Seul, o pedido de prisão não se sustenta, já que a investigação tem transcorrido sem interferências de Lee. Na visão do juiz responsável pela decisão, faltam evidências que comprovem a necessidade de encarceramento do executivo neste momento e pede que os procuradores sigam os trabalhos por meio de depoimentos e até julgamentos que possam, no futuro, comprovar o envolvimento do antigo vice-presidente da Samsung e levar ao aceite da ordem, caso existam parâmetros suficientes para isso.

A justiça da Coreia do Sul pediu a prisão de Lee na última semana sob a acusação de que ele alterou decisões corporativas da Samsung como forma de manipular valores de ações e violou regras de auditoria. O objetivo era perpetuar o próprio controle na fabricante por meio de uma fusão ocorrida em 2015, que uniu a Samsung C&T, holding que controla todas as empresas do grupo, e a Cheil Industries, dos setores têxtil e químico.

Processos judiciais que questionavam a decisão levaram à abertura da investigação, que chegou a receber parecer favorável da justiça sul-coreana em 2017. A união entre Samsung e Cheil não foi anulada, mas com o envolvimento de Lee e outros executivos da Samsung em casos de fraude ligados a outros segmentos da empresa, além de sua participação do escândalo político envolvendo a então presidenta Park Geun-hye, o processo acabou sendo reaberto.

Sua participação no caso que levou à deposição da líder, inclusive, já levou Lee a ficar pouco menos de um ano na cadeia, entre 2017 e 2018. Ele foi considerado como uma das figuras principais, no ramo corporativo, do sistema criado por Park e a líder religiosa Choi Soon-Sil, apontada como a verdadeira controladora das políticas públicas do país, com direito à redação de discursos para a presidenta e acordos diretos com legisladores.

Em comunicado, a Samsung negou todas as acusações de fraude contábil e manipulação de preços de ações. A expectativa pela avaliação do novo pedido de prisão de Lee e a ideia de que ele não seria concedido, indicando, também, a ausência de indícios fortes de crime, levaram a uma ligeira alta nas ações da Samsung. Os papeis tiveram valorização de 2% na Bolsa de Valores de Seul.

Os procuradores lamentaram a decisão da justiça, mas afirmaram que seguirão nas investigações. Já os advogados de Lee afirmaram, em comunicado, que buscarão o apoio de especialistas não ligados à investigação para avaliar se o pedido de prisão tinha cabimento e, caso a conclusão seja negativa, buscarão compensações sobre o caso.

No início de maio, em uma rara aparição pública, Lee anunciou o fim da sucessão de sua família no controle da Samsung, um aspecto existente desde a fundação da companhia. Após os escândalos, ele deixou seu posto de vice-presidente, e no pronunciamento, disse não poder passar o controle a seus filhos quando ele próprio não se provou um líder capaz de levar a companhia adiante. O executivo se comprometeu a ajudar na montagem de um time plural e com diferentes habilidades, e principalmente, que a nova gestão não tolerará ilegalidades.

Fonte: Canaltech