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Justiça aceita denúncia contra executivos da Vale e Tüv Süd

Rafael Rosas

Ao todo, 16 pessoas são acusadas de homicídio doloso e crimes ambientais pelo rompimento da barragem em Brumadinho, que matou 270 pessoas A Justiça em Minas Gerais acatou a denúncia contra 11 executivos da Vale, incluindo o ex-presidente da mineradora, Fábio Schvartsman, e cinco funcionários da empresa de consultoria Tüv Süd por homicídio doloso duplamente qualificado e crimes ambientais causados pelo rompimento da barragem da mina do Córrego de Feijão, da Vale, na cidade de Brumadinho (MG). O desastre, ocorrido em 25 de janeiro do ano passado, deixou 259 mortos e 11 desaparecidos.

A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais em 21 de janeiro e também responsabilizou as empresas pelos crimes. Com a aceitação pelo Judiciário, todos os denunciados das duas empresas viram réus.

Em nota, a Vale informou que não se pronunciará sobre questões legais até que seja citada e formalize sua defesa técnica no processo. A companhia se defenderá nos autos do processo, por meio de seu advogado David Rechulski.

A defesa de Schvartsman afirmou, em nota, que lamenta o recebimento da denúncia contra o executivo e outros dez representantes da Vale. É preciso, segundo a defesa, identificar as causas e punir os possíveis responsáveis pelo desastre. A nota cita que, conforme a Polícia Federal, os laudos capazes de identificar a razão do rompimento da barragem só devem estar prontos em junho. A defesa de Schvartsman diz esperar que a inocência do ex-presidente da Vale seja reconhecida o mais rapidamente possível.

Ao fazer a denúncia, os investigadores afirmaram que há “provas robustas” de que todos os responsabilizados sabiam que havia o risco de a barragem romper e nada fizeram para evitar a tragédia. A investigação foi feita em conjunto pelo Ministério Público de Minas Gerais e pelas Polícias Civil e Militar.

As autoridades indicaram que teria havido um conluio entre Vale e TÜV SÜD para “maquiar” as informações referentes à barragem, numa tentativa, segundo a Promotoria, de "evitar impactos negativos reputacionais à Vale.

Trabalhos de busca em área atingida pela lama da barragem Córrego de Feijão, em Brumadinho (MG)

Agência O Globo