Juros têm leve queda após dados de produção industrial

O crescimento da produção industrial em outubro abaixo da mediana das estimativas impõe viés de queda para as taxas futuras de juros nesta terça-feira. O mercado também segue atento ao comportamento do câmbio e possíveis pressões inflacionárias, além da questão da redução dos preços da tarifa de energia elétrica.

Por volta das 9h30, na BM&FBovespa, o contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2014 projetava taxa de 7,15%, de 7,17% no ajuste desta segunda-feira (3); o DI para janeiro de 2015 tinha taxa de 7,73%, de 7,76% na véspera; e o DI para janeiro de 2016 marcava 8,32%, de 8,33% ontem. Entre os vencimentos mais longos, o DI para janeiro de 2017 tinha taxa de 8,67%, de 8,68% e o DI para janeiro de 2021 apontava 9,38%, de 9,37%.

A produção industrial cresceu 0,9% em outubro, na comparação com setembro, abaixo da mediana das estimativas dos economistas ouvidos pelo AE Projeções, de 1,20%. O intervalo de projeções ia de 0,60% a 1,90%, já descontados os efeitos sazonais. Em relação a outubro de 2011, o crescimento da atividade da indústria foi de 2,30%. Nesta base de comparação, as estimativas iam de 1,70% a 3,60%, com mediana de 2,50%.

O economista-chefe do Besi Brasil, Jankiel Santos, afirma que o crescimento da indústria abaixo da mediana prevista pode "reforçar a queda (das taxas futuras) após a decepção com o PIB". "Muitos estão imaginando se virá mais desapontamento para o quarto trimestre", diz, ponderando que "ao mesmo, o quarto trimestre começa com crescimento na margem e pode ser que isso amenize o mau humor da semana passada".

Luciano Rostagno, do WestLB, chama a atenção para a queda de 0,6% da produção de bens de capital, na margem. "Não é uma boa notícia para os investimentos, que já caíram conforme os dados do PIB. Apesar do câmbio desvalorizado, não há substituição dos bens de capital importados pelos nacionais e isso mostra cautela do empresariado em retomar investimentos", afirma. Para ele, o destaque positivo foi o avanço de bens duráveis (1,4%, na margem), graças a estímulos do governo.

O mercado de juros também monitora os movimentos do dólar ante o real. Ontem, as taxas futuras recuaram, na esteira da moeda americana, conduzida ao negativo após várias intervenções do Banco Central no mercado de câmbio.

No âmbito da inflação, a questão da redução das tarifas de energia segue no radar dos investidores. Ocorre nesta terça-feira (às 16h) a cerimônia de assinatura dos contratos de prorrogação das concessões de energia elétrica, com a presença do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. A Companhia Energética de São Paulo (Cesp) rejeitou a renovação das concessões dos contratos de três usinas hidrelétricas. Já a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) decidiu ontem aceitar a proposta do governo.

A estatal Eletrobras já aderiu ao plano e a Cemig decide hoje, em assembleia. "Se a maioria aderir, ajuda na estratégia do governo de reduzir preços e alivia pressões para política monetária", diz Rostagno. "Junto com dados da produção, dão viés de queda para os juros futuros."

Considerando as decisões de não renovação de concessões sob as novas regras impostas pelo governo federal até o momento, o corte na tarifa final de energia ao consumidor deverá ser de 18,3%, segundo cálculos do BTG Pactual. Caso a Cemig também diga não para todas as suas concessões, o corte deverá ser de 17,2%.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação da cidade de São Paulo, subiu 0,68% em novembro, desacelerando em relação ao mês de outubro, quando avançou 0,80%, informou a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). A taxa superou o teto das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, de 0,65%.

No exterior, segue o impasse entre parlamentares democratas e republicanos dos EUA para evitar o abismo fiscal. A Casa Branca rejeitou uma contraproposta do Partido Republicano ao plano fiscal apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

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