Juros sobem com melhora externa e avanço do dólar

Com a discreta melhora dos mercados internacionais à tarde, as taxas futuras de juros, sobretudo de longo prazo, encontraram algum espaço para subir e terminaram o dia com viés positivo, após passarem a primeira metade dos negócios perto da estabilidade. Até então, o resultado um pouco pior do varejo doméstico em setembro, especialmente no conceito ampliado, era contrabalançado por novos rumores sobre reajuste dos combustíveis. Em meio a isso, o avanço do dólar trouxe alguma cautela no que tange aos seus possíveis efeitos sobre a inflação. No exterior, apesar das tensões sobre o abismo fiscal dos EUA continuarem presentes, resultados corporativos positivos favoreceram um pouco do apetite por risco.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o juro com vencimento em janeiro de 2013 (8.970 contratos) projetava taxa de 7,12%, nivelado ao ajuste. O DI para janeiro de 2014 (187.160 contratos) marcava máxima de 7,38%, de 7,36% na segunda-feira. O DI para janeiro de 2015 estava na máxima de 7,98%, de 7,93% no ajuste. Na parte longa da curva, o contrato com vencimento em janeiro de 2017 (218.285 contratos) indicava 8,73%, de 8,67% na véspera, e o DI para janeiro de 2021 (apenas 690 contratos) projetava máxima de 9,39%, ante 9,31% no ajuste.

Nesta terça-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que as vendas do varejo em setembro ante agosto cresceram 0,3%, na série com ajuste sazonal. O resultado veio praticamente em linha com a mediana encontrada pelo AE Projeções, de 0,25%. No conceito ampliado, porém, houve queda de 9,2% nas vendas em setembro ante agosto, pior do que o piso do intervalo das estimativas (-5,80%). Segundo o IBGE, a queda de 22,6% nas vendas de veículos e motos, partes e peças na passagem de agosto para setembro puxou o recuo do volume de vendas do varejo ampliado no período.

Mas dois outros fatores domésticos pesaram no fim das contas. O primeiro deles, conhecido desde cedo, são os rumores de que o governo estaria estudando autorizar um novo reajuste dos combustíveis, o que poderia pressionar a inflação no curto prazo. O segundo motivo, que também pode ter repercussões negativas sobre o comportamento dos preços, é o avanço do dólar. A moeda dos EUA vem subindo nas últimas sessões e já alcançou o patamar de R$ 2,07 hoje. Agora, os investidores estão de olho no Banco Central, à espera de uma possível atuação na ponta vendedora do mercado.

De volta à atividade, o nível de emprego da indústria paulista caiu 0,05% em outubro deste ano na comparação com setembro, na série com ajuste sazonal, segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Por outro lado, em outubro, o mercado de trabalho como um todo dá sinais de avanço, demonstram os dois indicadores recém-criados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e divulgados pela primeira vez hoje. O Indicador Coincidente de Desemprego (IDC), que monitora a evolução da taxa de desemprego, caiu 2,5% em outubro, ante queda de 0,1% no mês anterior. Já o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp), que antecipa movimentos do mercado de trabalho, avançou 2,4%, o que representa crescimento do nível de emprego nos próximos três meses. Em setembro, a taxa foi de 3,4%.

No exterior, as tensões envolvendo o abismo fiscal dos EUA seguem no radar. E na Grécia, apesar de o país ainda não ter recebido uma nova parcela da ajuda internacional, o fato de os gregos terem vendido 4,063 bilhões de euros em títulos de quatro e 13 semanas, acima do montante esperado, de 3,125 bilhões de euros, foi bem recebido. Mas um dos motivos para a melhora das bolsas em Nova York foi o otimismo gerado pelo balanço positivo da Home Depot.

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