Juros sobem com leitura de que inflação segue ruim

As taxas futuras de juros retomaram o movimento de alta nesta terça-feira. O avanço foi discreto nos vencimentos curtos, enquanto as taxas com prazos mais longos subiram com força. O comportamento foi motivado pela melhora do ambiente externo e, principalmente, pela leitura de que o governo segue tomando medidas paliativas para combater a inflação. Tal percepção se deve à afirmação da presidente Dilma Rousseff de que o governo estuda desonerar os produtos da cesta básica, e da presidente da Petrobras, Graça Foster, de que o reajuste dos combustíveis não eliminou a defasagem de preços em relação ao mercado internacional.

Ao término da negociação normal na BM&F, a taxa para julho de 2013 (35.500 contratos) estava em 7,07%, de 7,06% no ajuste. O contrato para janeiro de 2014 (271.885 contratos) marcava taxa máxima de 7,28%, ante 7,24% na véspera. O DI para janeiro de 2015 (398.820 contratos) indicava 8,02%, de 7,99% no ajuste. Entre os mais longos, o contrato para janeiro de 2017 (141.555 contratos) tinha taxa máxima de 9,00%, ante 8,89% na segunda-feira, e o DI para janeiro de 2021 (38.215 contratos) apontava máxima de 9,72%, ante 9,60% no ajuste.

"A notícia sobre a possibilidade de desoneração da cesta básica pesou um pouco sobre os DIs. O sentimento, no entanto, é que o governo está tentando medidas que apenas postergam o problema da inflação, que voltará mais adiante. Então, há inclinação da curva de juros", afirmou o economista sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano.

Pela manhã, Dilma afirmou concordar com a redução da carga tributária que incide sobre os alimentos no País. "Nós estamos estudando a desoneração integral da cesta básica dos tributos federais", afirmou. Para a LCA Consultores, a desoneração do PIS/Cofins para a cesta básica, se confirmada, traria um alívio de 0,30 ponto porcentual para a inflação oficial.

Também mais cedo, a presidente da Petrobras, em entrevista para comentar os resultados financeiros da companhia em 2012, afirmou que os reajustes concedidos para gasolina e diesel desde junho do ano passado não eliminaram a defasagem de preços em relação ao mercado internacional.

O fato é que a inflação no varejo segue pressionada, ainda que as perspectivas possam ser de desaceleração, diante da queda nos preços da energia e de alguns itens em deflação. A Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 0,31% em janeiro, desacelerando a alta de 0,66% em dezembro, mas acima da mediana das estimativas das instituições do mercado financeiro, de 0,26%. Dentro do indicador, o IPC-DI, que apura a evolução de preços no varejo, subiu 1,01% em janeiro, em comparação com a alta de 0,66% em dezembro.

No exterior, as perdas registradas nos mercados internacionais na véspera se reverteram depois de indicadores fortes sobre a atividade econômica global ofuscarem as preocupações com questões políticas na Espanha e na Itália. Os índices dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor de serviços dos Estados Unidos, da Europa e da China subiram em janeiro e devolveram o apetite por risco aos investidores, provocando alta nas Bolsas, no euro, nas commodities e nos juros dos Treasuries.

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