Juros sobem após IPCA e declarações de Tombini

A aceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em novembro, somada à declaração do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, de que o juro básico da economia (Selic) permanecerá estável por um período "suficientemente prolongado", abre espaço para ajustes nos juros futuros nesta sexta-feira. As taxas podem recuperar ao menos parte das fortes perdas registradas na quinta-feira (06).

Por volta das 9h50, na BM&FBovespa, o contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2014 projetava taxa de 6,99%, de 6,869% no ajuste de quinta-feira (06); o DI para janeiro de 2015 tinha taxa de 7,51%, de 7,385% na véspera; e o DI para janeiro de 2016 marcava 8,07%, de 7,951% ontem. Entre os vencimentos mais longos, o DI para janeiro de 2017 tinha taxa de 8,39%, de 8,301%.

A inflação medida pelo IPCA acelerou para em 0,60% em novembro, de 0,59% em outubro, ao nível mais alto desde abril deste ano, quando ficou em 0,64%. O número superou o teto do intervalo de estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, de 0,56%.

"Esse IPCA contribui para a recomposição de prêmios", diz Eduardo Velho, economista da Planner Corretora. Segundo ele, as declarações de quinta-feira (06) do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, de que a Selic permanecerá estável por um período "suficientemente prolongado", também ajudam no ajuste dos DIs.

O presidente do Banco Central disse nesta quinta-feira (06) que "a ata (do Comitê de Política Monetária) está mais atual do que nunca", referindo-se ao documento sobre a decisão de manter o juro básico da economia estável, em 7,25% ao ano. Tombini reforçou que "a estratégia adequada para trazer a inflação para a meta é manter a estabilidade das condições monetárias por um período suficientemente prolongado."

Sobre a eventual definição de uma data para o fim da manutenção da Selic no mínimo histórico, declarou que "suficientemente prolongado está de bom tamanho."

Na quinta-feira (06), DIs desabaram, com forte volume, refletindo o entendimento do mercado após a ata do Copom de que a retomada da economia brasileira não será suficiente para adicionar pressão à inflação - até mesmo instituições financeiras revisaram para baixo expectativas para a Selic.

A BM&FBovespa informou ter registrado, no segmento BM&F, a marca histórica de 12.584 negócios no contrato futuro de taxa média de depósitos interfinanceiros de um dia (DI1). O número de contratos negociados para este mercado no dia foi de 3.192.370. O recorde anterior, de 11.706 negócios, foi registrado em 9 de maio deste ano.

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