Juros sobem por inflação e alta de combustíveis em 2013

Os índices de preços conhecidos na manhã desta quarta-feira, a exemplo de todos que foram divulgados nesta semana, vieram acima do que o mercado esperava e fizeram subir as taxas de juros intermediárias e longas. Mesmo porque, com a confirmação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que haverá reajuste de combustíveis em 2013, a inflação não deve apresentar alívio. A queda do dólar, por sua vez, atuou como contraponto e ajudou a impedir um avanço maior das taxas.

Ao término da negociação normal na BM&F, o juro do contrato para janeiro de 2014 (188.275 contratos) estava em 7,08%, nivelado ao ajuste, enquanto o DI para janeiro de 2015 (213.150 contratos) indicava 7,69%, de 7,65%. Entre os vencimentos mais longos, o DI para janeiro de 2017 (161.080 contratos) apontava 8,50%, de 8,48% na véspera, e o contrato para janeiro de 2021 (9.610 contratos) tinha taxa de 9,20%, ante 9,17% no ajuste.

No começo do dia, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que o IGP-M (índice usado para reajuste do aluguel) subiu 0,69% na segunda prévia do mês. A taxa ficou acima da mediana encontrada pelo AE Projeções, de 0,63%. Ainda pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que a prévia da inflação oficial de dezembro, o IPCA-15, subiu 0,69%, acima de 0,54% em novembro e da mediana das estimativas dos analistas do mercado financeiro, de 0,65%. No fechamento deste ano, o IPCA-15 acumula alta de 5,78%, distante do centro da meta, de 4,5%.

Para Mantega, porém, a alta de preços no fim do ano é normal. Em café da manhã com jornalistas, ele também confirmou que haverá aumento de preços de combustíveis em 2013 sem precisar quando.

Nesse contexto, a percepção do mercado é que o governo não deverá usar o câmbio, a exemplo do que ocorreu neste ano, como forma de estimular a competitividade da indústria no ano que vem. "Com os preços mais salgados, não há espaço para utilizar a política cambial para estimular a economia", afirmou o estrategista-chefe do Banco WestLB no Brasil, Luciano Rostagno.

Alguns agentes financeiros consideram ainda que a nova rodada de estímulos, a ser anunciada por Mantega neste fim de tarde, pode adicionar pressão aos preços no médio prazo, por meio de aumento da demanda, o que justifica o avanço das taxas intermediárias.

Rostagno avalia porém que, por mais que a redução de tributos gere aumento da demanda, há alívio para os preços no curto prazo. "Ainda que as empresas utilizem parte da desoneração para recompor margens, isso fica abaixo do total do benefício", afirmou. Mantega anunciará a renovação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para o setor automotivo e linha-branca e a ampliação dos setores beneficiados pela desoneração da folha de pagamentos.

No exterior, as expectativas de que os políticos conseguirão chegar a um acordo para evitar o abismo fiscal nos Estados Unidos colaboraram para os ganhos das Bolsas europeias e dos índices futuros de Nova York durante toda a manhã. O otimismo, contudo, diminuiu à tarde, depois de a Casa Branca afirmar que o presidente Barack Obama vetará o plano B do republicano John Boehner, líder da Câmara. Na Europa, entretanto, o tom positivo permaneceu, sustentado pela elevação do rating da Grécia e pelo índice IFO da Alemanha.

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