Juros sobem com dado sobre emprego no País

Depois de abrir em leve baixa, refletindo o pessimismo com o impasse nas negociações para evitar o abismo fiscal nos EUA, os juros futuros inverteram a direção e sobem na manhã desta sexta-feira, puxados pelo dado positivo sobre o emprego no Brasil.

Às 10h12, na BM&FBovespa, o contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2014 projetava taxa de 7,17%, de 7,14% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2015 tinha taxa de 7,88%, de 7,82% na véspera; e o DI para janeiro de 2016 apontava 8,38%, de 8,30% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2017 tinha taxa de 8,66%, ante 8,60%, e o DI com vencimento em janeiro de 2021 projetava 9,36%, ante 9,30%.

Mais cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 4,9% em novembro, no piso do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções (4,90% a 5,50%). Foi a taxa mais baixa para o mês desde o início da série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego, em 2002, segundo o IBGE.

Para o estrategista-chefe do WestLB, Luciano Rostagno, o resultado do emprego se sobrepõe à preocupação com o abismo fiscal nos EUA. "Os dados de emprego surpreenderam positivamente. A taxa ajustada sazonalmente voltou para a mínima histórica, de 5,2%, e a renda real continuou subindo", afirmou, acrescentando que a perspectiva de demanda mais robusta em 2013 em um ambiente de pressões inflacionárias favorece a alta dos juros futuros.

Nesta quinta-feira (20), dúvidas sobre a trajetória da inflação em 2013 predominaram no mercado e determinaram o avanço das taxas futuras. O movimento ocorreu apesar de o BC reafirmar, em seu Relatório Trimestral de Inflação (RTI), a tendência de convergência do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para a meta do governo, ainda que de forma não linear, com estabilidade das condições monetárias por período "suficientemente prolongado".

Por outro lado, o aumento das preocupações com o abismo fiscal norte-americano pesa sobre os DIs. Os investidores seguem atentos às negociações para evitar que uma série de corte de gastos e aumento de impostos entre em vigor a partir de 2013 nos EUA.

Parlamentares republicanos cancelaram na noite desta quinta a votação da proposta do presidente da Câmara, o também republicano John Boehner, alegando não terem votos suficientes para aprová-la, apesar de o partido ter maioria na Casa. Segundo ele, cabe agora ao presidente norte-americano, Barack Obama, e aos senadores democratas apresentarem uma legislação para evitar o abismo fiscal.

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