Juros sobem com dúvida sobre superávit fiscal

Os juros futuros iniciaram a terça-feira em alta, reagindo a incertezas sobre o cumprimento da meta cheia de superávit fiscal das contas públicas do governo em 2013. As dúvidas foram realimentadas por declarações à imprensa do ministro da Fazenda, Guido Mantega. O risco de um racionamento energético e, com ele, um aumento de preços, também pressiona as taxas projetadas pelos contratos de depósito interfinanceiro (DI).

Mantega, que está em férias até o próximo dia 18, afirmou que "há no Orçamento de 2013 uma válvula de escape de R$ 25 bilhões, que poderíamos abater", disse, acrescentando que, quando não for necessário, não haverá dedução. "E nós pretendemos fazer mais desonerações", adiantou, referindo-se à renúncia de impostos, além das previstas na proposta orçamentária. As declarações foram publicadas nesta segunda-feira pela imprensa.

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, por sua vez, defendeu em entrevista à Agência Estado a operação financeira realizada no último dia de 2012 para garantir o cumprimento da meta das contas do setor público. Foi "absolutamente normal, previsível e usual", disse.

"A questão fiscal pode refletir em inflação, porque o governo não estaria contendo os gastos como deveria", explica o gerente de renda fixa da Lerosa Investimentos, Carlos Fernando Vieira. "Outro vetor do mercado de juros futuros hoje é o risco de um racionamento energético e o repasse maior desse custo", acrescenta.

Além disso, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) acelerou para 0,77% na primeira quadrissemana de janeiro, de +0,66% no período anterior, encerrado em 31 de dezembro.

Às 10 horas, na BM&FBovespa, o contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2014 projetava taxa de 7,14%, de 7,12% no ajuste de segunda-feira (07); o DI com vencimento em janeiro de 2015 tinha taxa de 7,74%, de 7,70%; e o DI com vencimento em janeiro de 2016 marcava 8,26%, de 8,19% no ajuste anterior. Entre os vencimentos mais longos, o contrato para janeiro de 2017 projetava 8,57%, de 8,49% na segunda-feira (07); e o contrato com vencimento em janeiro de 2021 marcava 9,25%, na máxima, de 9,16%.

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