Juros sobem após acordo nos EUA e apesar de IPC-S

O acordo para evitar o abismo fiscal nos Estados Unidos, aprovado na madrugada desta quarta-feira (pelo horário de Brasília), coloca as taxas dos contratos futuros de juros em trajetória de alta nesta manhã, apesar de o Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) de dezembro ter vindo abaixo do esperado pelo mercado. Mais confiantes em relação à situação fiscal norte-americana, os investidores partem em busca de ativos de maior risco, como as ações, abrindo espaço para a alta das taxas dos Treasuries (os títulos públicos norte-americanos), em um movimento verificado também entre os DIs no Brasil.

Às 9h29 (horário de Brasília), a taxa do contrato futuro de juros com vencimento em janeiro de 2014 estava em 7,18%, ante 7,14% do fim da tarde de sexta-feira (28) - último dia de negociação dos DIs em 2012. Já o contrato para janeiro de 2017 marcava 8,52%, ante 8,44% do ajuste anterior.

Pelo acordo aprovado na Câmara dos Representantes dos EUA, americanos que ganham mais de US$ 400 mil por ano (ou US$ 450 mil se for um casal) pagarão mais imposto de renda (a taxa subiu de 35% para 39,6%) a partir de hoje. Além disso, o corte de gastos de programas do governo americano foi postergado por dois meses. Esses cortes equivalem a US$ 1,2 trilhão em dez anos. Benefícios a desempregados foram mantidos por mais um ano. O acordo, porém, não menciona a elevação do teto da dívida pública americana, que chegou ao limite.

Pela manhã, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que o IPC-S subiu 0,66% em dezembro, ante 0,45% em novembro. O resultado ficou abaixo da mediana das expectativas do mercado, de 0,70%, e no piso das projeções para dezembro (de 0,66% a 0,74%). Com isso, o indicador de inflação fechou 2012 com alta de preços de 5,74%, abaixo da mediana de 5,78% projetada pelo mercado e dentro do intervalo esperado (de 5,70% a 5,81%).

O resultado do IPC-S, que sugere certo viés de baixa para as taxas dos DIs, é ofuscado pelas notícias externas, que trazem pressão de alta, pelo menos em um primeiro momento. "Os mercados estão extremamente positivos lá fora em função da aprovação do acordo para evitar o abismo fiscal norte-americano. E apesar de o IPC-S vir um pouco abaixo do esperado no Brasil, a tendência é de as taxas dos DIs subam no início da sessão", comentou o estrategista-chefe do Banco WestLB do Brasil, Luciano Rostagno.

O profissional chama a atenção ainda para o movimento dos Treasuries, refletindo o acordo nos EUA. "Os Treasuries estão com forte queda nos preços, apesar da liquidez baixa, com respectiva alta das taxas", comentou. "Os juros no Brasil devem ter comportamento semelhante." Às 9h42, a taxa do T-Note de 10 anos subia para 1,8300%, de 1,757% na tarde de segunda-feira.

Na tarde de hoje, no Brasil, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) divulga às 15 horas os dados da balança comercial de dezembro e o saldo acumulado em 2012. Levantamento feito pelo AE Projeções com 18 instituições mostra que os analistas esperam superávit de US$ 600 milhões a US$ 3,900 bilhões. A mediana calculada é de US$ 1,600 bilhão. Para o saldo de 2012, o mercado prevê entre US$ 17,800 bilhões e US$ 21,100 bilhões, com mediana de US$ 19,200 bilhões.

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