Juros seguem virada do dólar e fecham quase estáveis

Depois da primeira etapa do pregão em baixa, as taxas futuras de juros, sobretudo as de longo prazo, voltaram a encostar no fechamento desta quinta-feira nos patamares de ajuste. A trajetória seguiu o movimento do dólar, cuja queda perdeu força até se transformar em pequeno ganho de 0,14%, para R$ 2,0970 no final dos negócios no mercado à vista.

Investidores reconsideraram fatores de pressão para os juros, como um dado positivo da China e o IPCA-15 um pouco acima da mediana das estimativas. Nos últimos dois pregões, o comportamento do mercado de juros esteve diretamente atrelado ao de câmbio, uma vez que a mudança de patamar do dólar acentuou as preocupações quanto ao comportamento da inflação.

Ao término da negociação normal na BM&F, o juro com vencimento em janeiro de 2013 (68.945 contratos) projetava taxa de 7,06%, de 7,08% no ajuste. O DI para janeiro de 2014 (172.870 contratos) marcava 7,35%, de 7,36% na véspera. Já o DI para janeiro de 2015 (136.670 contratos) indicava 8,03%, de 8,04% no ajuste e mínima de 7,99% mais cedo. Na parte longa da curva, o contrato com vencimento em janeiro de 2017 (134.870 contratos) estava em 8,82%, de 8,81% na quarta-feira e mínima de 8,76%. A taxa para janeiro de 2021 (5.185 contratos) projetava máxima de 9,46%, ante 9,41% na mínima e 9,45% no ajuste.

"Pela manhã, apenas o fato de o dólar ter parado de subir já era motivo para uma correção em baixa das taxas, principalmente devido às fortes altas dos últimos pregões. Além disso, o mercado olhou para o índice de difusão menor do IPCA-15", afirmou o sócio gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi. "Mas o dólar voltou a subir e deu fôlego para as taxas", continuou outra fonte.

Mais cedo, além de repetir que o cenário é de fraqueza da atividade global por algum tempo e que haverá convergência da inflação à meta, Tombini admitiu que o câmbio tem novo patamar. Lembrou que o BC possui posição comprada em swap cambial, da ordem de US$ 5 bilhões, o que foi entendido como um recado indireto de que, se preciso, a autoridade monetária tem munição para conter um avanço exagerado do dólar.

Em meio a isso, dois dados que foram relegados ao segundo plano pela manhã ganharam um pouco mais de peso. O IBGE informou que o IPCA-15 de novembro teve alta de 0,54%, acima da mediana das estimativas coletadas pelo AE Projeções, de 0,51%, mas inferior à taxa de outubro, de +0,65%. O IBGE informou que a taxa de desemprego ficou em 5,3% em outubro, de 5,4% em setembro, no menor patamar para o mês desde o início da série histórica, em 2002.

No exterior, em um dia marcado pela baixa liquidez devido ao feriado do Dia de Ação de Graças nos EUA, o destaque ficou para o índice dos gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês) da China, mostrando que a atividade manufatureira retornou ao território que indica expansão pela primeira vez em 13 meses, para 50,4, de 49,5 em outubro.

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