Juros seguem dólar e fecham em leve queda

Em um dia de sessão e liquidez reduzidas, motivadas pela Quarta-feira de Cinzas, os investidores em juros devolvem um pouco do avanço recente das taxas, a despeito da piora das expectativas para a inflação trazida pelo Boletim Focus. Segundo profissionais da área de renda fixa, a queda do dólar também ajuda no movimento de correção técnica das taxas futuras. Além disso, a cautela externa também não justifica movimentos de alta para os juros.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa para julho de 2013 (62.195 contratos) estava em 7,09%, de 7,12% no ajuste. O contrato para janeiro de 2014 (69.150 contratos) marcava mínima de 7,38%, ante 7,40%. O DI para janeiro de 2015 (45.410 contratos) indicava 8,16%, de 8,17% no ajuste. Entre os mais longos, o contrato para janeiro de 2017 (27.080 contratos) tinha taxa de 9,04%, ante 9,05%, e o DI para janeiro de 2021 (apenas 280 contratos) apontava 9,72%, ante 9,74% no ajuste.

"Houve um avanço grande das taxas recentemente. O mercado de juros antecipou boa parte da piora das expectativas de inflação e, agora, decidiu corrigir um pouco dos exageros recentes", afirmou o vice-presidente de Tesouraria do banco WestLB no Brasil, Ures Folchini. "No dia 4 de fevereiro, a taxa do contrato de DI para janeiro de 2014 estava em 7,24%, atingindo 7,40% na última sexta-feira", exemplificou.

Hoje, o dólar voltou a experimentar sinal de baixa, com o mercado entendendo que a moeda deve ser usada como instrumento de ajuda no combate à inflação. Mesmo porque, como mostrou hoje a pesquisa Focus, as expectativas para o comportamento do preços segue piorando. A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no fim de 2013 subiu de 5,68% para 5,71%. O IPCA suavizado 12 meses à frente também foi revisado para cima, de 5,47% para 5,49%. No Top 5, grupo das instituições do mercado financeiro que mais acertam projeções, a estimativa para o IPCA no fim deste ano passou de 5,52% para 5,70% no cenário médio prazo. Em 2014, a previsão para o IPCA ficou em 6,50% - teto da meta do governo federal -, de 5,80% na pesquisa anterior.

A previsão para o crescimento do PIB em 2013 passou de 3,10% para 3,09% e para 2014, de 3,70% para 3,80%, ainda segundo a Focus. As projeções para a Selic no fim deste ano e do próximo foram mantidas em 7,25% ao ano e 8,25% ao ano, respectivamente.

No exterior, à espera da reunião do G-20 na Rússia e em meio a indicadores econômicos, os mercados de ações e commodities operam sem direção única. Na zona do euro, a produção industrial cresceu mais que o esperado em dezembro ante novembro, porém caiu mais que o previsto na comparação com igual mês do ano anterior e encolheu 2,4% no quarto trimestre de 2012 ante o terceiro trimestre. Nos EUA, as vendas no varejo cresceram em linha com o esperado em janeiro ante dezembro.

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