Juros recuam em meio a ressaca com PIB e queda do dólar

Ainda sob a ressaca da divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, o mercado de juros foi influenciado nesta segunda-feira pelos movimentos do dólar ante o real, marcados por várias intervenções do Banco Central (BC) em apenas um dia. As taxas dos contratos futuros, que já tinham uma tendência de baixa em função do PIB fraco, recuaram na esteira do dólar, conduzido ao terreno negativo pelo BC. Apesar disso, o mercado de DIs seguiu precificando, de forma predominante, a manutenção da Selic em 7,25% ao ano até o fim de 2013.

Ao fim da sessão regular, o contrato futuro de juros com vencimento em janeiro de 2014 (226.845 contratos) marcava 7,17%, ante 7,21% do ajuste de sexta-feira. Já o contrato para janeiro de 2015 (232.935 contratos) tinha taxa de 7,76%, ante 7,83% do ajuste anterior. Na ponta mais longa, o DI para janeiro de 2017 (102.035 contratos) marcava 8,68%, ante 8,71% do ajuste, enquanto o DI para janeiro de 2021 (1.985 contratos) estava em 9,37%, ante 9,38%.

"O mercado de juros ainda refletiu hoje um pouco a divulgação do PIB, na sexta-feira, o que é natural", comentou Mauricio Nakahodo, consultor de Pesquisas Econômicas do Banco de Tokyo-Mitsubishi UFJ Brasil. "Além disso, com o dólar mais fraco, arrefece uma fonte importante (de preocupação) para a inflação, então a taxa (de juros) pode ficar mais baixa", acrescentou. Na sessão desta segunda-feira o dólar fechou em baixa de 0,38% ante o real no balcão, cotado a R$ 2,1190.

No início do dia, porém, a moeda chegou a ser cotada a R$ 2,1350, o que fez o BC acionar o primeiro leilão de swap cambial (equivalente à venda de dólar no mercado futuro) para segurar a cotação. Perto das 11 horas, novo leilão de swap cambial foi convocado e, à tarde, o BC anunciou um leilão de venda com compromisso de recompra. "Os juros caíram acompanhando o dólar. Na medida em que ele está mais baixo, e com o governo precisando impulsionar o PIB, as taxas foram para baixo", comentou um operador de renda fixa. Ainda assim, segundo ele, a curva de juros segue precificando a manutenção da Selic em 7,25% até o fim de 2013.

Pela manhã, o Banco Central divulgou o primeiro boletim Focus após o anúncio do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,60% no terceiro trimestre desde ano, ante os três meses anteriores. O documento mostra que a expansão do PIB prevista para 2012 passou de 1,50% para 1,27%. No caso de 2013, houve ajuste na alta esperada do PIB de 3,94% para 3,70%. Estas estimativas, no entanto, não trazem todo o impacto dos números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira, já que muitas casas já haviam enviado as estimativas antes do dado do PIB.

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