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Juros recuam com sinalização do Fed sobre taxas baixas até 2022

Lucas Hirata

Para analistas de mercado, quadro de “recessão muito profunda e prolongada" justifica taxas baixas por um período longo O cenário de juros baixos por um período prolongado de tempo, reforçado hoje por novas projeções econômicas de dirigentes do Federal Reserve, direcionou o mercado de taxas futuras na reta final do pregão. Depois de passar boa parte do dia com oscilações bastante tímidas, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) aprofundaram o recuo na esteira da decisão de política monetária do Federal Reserve.

Como esperado, o banco central americano manteve seus juros próximos de zero. Mas, na atualização de projeções econômicas, os dirigentes mostram que não planejam subir taxas até 2022. As taxas de juros futuros, que até então vinham operando perto da estabilidade, acentuaram as baixas.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de DI para janeiro de 2021 ficava em 2,175% (2,17% no ajuste anterior), enquanto a do DI para janeiro de 2022 marcava 3,09% (3,14% no ajuste anterior) e o DI para janeiro de 2023 tinha taxa de 4,13% (4,22% no ajuste anterior). Já o rendimento do DI janeiro de 2025 marcava 5,67% (5,78% no ajuste anterior) e o do DI janeiro de 2027 ficava em 6,61% (6,73% no ajuste anterior).

De acordo com Marcos Mollica, gestor do Opportunity, os juros futuros representam uma classe de ativos que o mercado local e o global convergem. Isso porque o quadro é de “recessão muito profunda e prolongada com vários efeitos deflacionários”, combinação que reforça a ideia de juros baixos por mais tempo. “Resultado vai ser juros baixos até perder de vista aqui e lá fora”, explica.

Já outros ativos financeiros no Brasil, como a bolsa e o real, sofreram hoje com mais rodada de realização de lucros. Alguns profissionais comentam que o movimento ocorreu devido à grande expectativa que se fez com possíveis planos de mais estímulos pelo Fed, como medidas para controlar a curva de juros.

Para Mollica, as perdas hoje em ações e no câmbio muito mais são decorrentes de uma realização de lucros do que uma grande mudança de cenário, que até então vinha significando uma certa recuperação dos ativos locais. “Eu continuo otimista com a economia e ativos americanos. Eles administraram muito melhor a pandemia e o volume de estímulos injetados pelo Fed são imensos”, diz.

”Aqui, os mercados acabam se aproveitando de toda esta liquidez indiretamente. Mas temos uma série de desafios locais - pandemia, fiscal e político, por exemplo - que vão limitar o avanço dos ativos domésticos”, acrescenta.

Fed sinalizou hoje que as taxas não devem subir até 2022

Imagem Valor Econômico