Mercado fechará em 1 h 21 min

Juros longos fecham em alta, com situação fiscal e exterior no radar

Victor Rezende
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A taxa do DI para janeiro de 2025 subiu de 6,71% para 6,78% e a do DI para janeiro de 2027 escalou de 7,50% para 7,58% Sem soluções à vista para amparar a fragilidade das contas públicas e diante de um discurso do Banco Central bem mais ameno do que o esperado pelo mercado, a inclinação da curva de juros voltou a aumentar nesta sexta-feira (30). O ambiente externo também contribuiu para a abertura da curva, às vésperas das eleições presidenciais nos Estados Unidos, que acontecem na próxima terça (3). Com os negócios fechados no mercado brasileiro na segunda-feira (2), os agentes adotaram um tom mais cauteloso em um pregão com liquidez reduzida. No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passou de 3,43% no ajuste anterior para 3,44% e a do DI para janeiro de 2023 avançou de 4,97% para 5,02%. Já a taxa do contrato para janeiro de 2025 subiu de 6,71% para 6,78% e a do DI para janeiro de 2027 escalou de 7,50% para 7,58%. Divulgados durante a manhã, os resultados do setor público consolidado mostram que a situação fiscal brasileira está em níveis bastante desafiadores. A dívida bruta avançou de R$ 6,389 trilhões em agosto para R$ 6,533 trilhões em setembro, o equivalente a 90,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. E, com as discussões orçamentárias paralisadas devido às eleições municipais, o mercado continua pessimista quanto aos rumos da política econômica. Esse tom se reflete tanto na alta forte dos juros de longo prazo quanto no prêmio mais elevado pedido pelo mercado nos títulos públicos. “Olhando para a frente, a principal questão que permitirá uma combinação de alongamento do perfil da dívida e redução do prêmio de risco é a resolução do fundamento, que está na questão fiscal. Sem uma solução para essa incerteza, a situação continuará complexa”, afirma o economista-chefe do BTG Pactual, Claudio Ferraz. Para ele, o Tesouro Nacional precisa estar atento a essas questões e deve procurar gerir um programa de vencimentos de forma a evitar barreiras muito grandes, como as que já existem no início do ano que vem, quando há um vencimento de títulos bastante elevado. Nesse contexto, a inclinação da curva volta aumentar. Ontem, no fechamento da sessão estendida, a diferença entre as taxas dos DIs para janeiro de 2022 e de 2027 estava em 4,08 pontos percentuais. No encerramento da sessão regular de hoje, esse spread era de 4,14 pontos. Um profissional de renda fixa que prefere não se identificar nota que o “trade” de inclinação da curva voltou a ganhar força após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). “O mercado esperava um comunicado mais ‘hawkish’ e, como isso acabou não acontecendo, a inclinação da curva ganhou força. Nossa situação fiscal continua muito feia e piora a cada dia. Os desenvolvimentos externos têm influência sobre o movimento de hoje. A cautela às vésperas das eleições presidenciais americanas e o feriado na próxima segunda-feira sustentaram as taxas futuras em alta, especialmente nos vértices mais longos. Além disso, os rendimentos dos Treasuries ganharam fôlego ao longo do dia e puxaram os juros globais para cima. Por volta de 16h, o retorno da T-note de dez anos subia para 0,868%, em nível próximo às máximas do dia. Na Europa, o yield do Bund alemão de dez anos avançou a -0,624% e o juro do OAT francês avançou para -0,336%.