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Juros de longo prazo fecham em queda após promessa de Maia

Victor Rezende
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Ja na parte curta da curva houve maior volatilidade, após o IPCA de setembro acima do esperado pelos agentes do mercado Os juros futuros encerraram os negócios desta sexta-feira (9) perto da estabilidade, em um pregão que refletiu o compromisso do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de adotar a PEC emergencial como prioritária. A promessa fez com que os juros de longo prazo se mantivessem em baixa durante todo o pregão. No entanto, na parte curta da curva, houve maior volatilidade após o IPCA de setembro acima do esperado pelos agentes do mercado. No fim da sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 subiu de 3,19% no ajuste anterior para 3,22% e a do DI para janeiro de 2023 avançou de 4,64% para 4,66%. Já a taxa do contrato para janeiro de 2025 recuou de 6,56% para 6,54% e a do DI para janeiro de 2027 caiu de 7,54% para 7,52%. Vídeo: Dúvidas sobre solução fiscal ainda preocupa Reconciliação entre Guedes e Maia acalma mercados A alta de 0,64% do IPCA em setembro deixou os juros curtos e intermediários bastante voláteis no pregão de hoje. No início do dia, a alta era predominante, mas perdeu fôlego durante a manhã, muito em função da avaliação de que os núcleos continuam bem comportados e abaixo da meta. O economista-chefe para Brasil do Barclays, Roberto Secemski, diz que “as medidas subjacentes continuam a não mostrar pressões significativas do lado da demanda doméstica, embora isso possa mudar com a reabertura econômica e se os preços no atacado continuarem a mostrar alta significativa”. Já os economistas Solange Srour e Lucas Vilela, do Credit Suisse, avaliam que a dinâmica inflacionária de setembro foi menos benigna do que nos meses anteriores, “uma vez que os itens de serviços reverteram a trajetória de queda, com alguns itens mais sensíveis à demanda apontando para uma recuperação”. O banco suíço revisou suas projeções do IPCA para este ano de 2,4% para 2,8% e, em 2021, de 3,1% para 3,4%. Srour e Vilela, contudo, continuam a esperar uma Selic de 4% até o fim do próximo ano. “Existe uma pressão na inflação e isso até favorece o cumprimento da meta este ano, com o Banco Central dentro da banda de tolerância e, enquanto não tiver risco às expectativas de inflação, a Selic deve ser mantida no nível atual de 2%. A pressão sobre o BC até existe, mas não vejo ele sendo afetado pelas questões de estresse no mercado atualmente. Inclusive o prêmio da curva pode subir por causa dos riscos e das colocações de títulos do Tesouro e, mesmo assim, ele não elevar os juros se o cenário de inflação não for afetado”, afirma um gestor que prefere não se identificar. O que ajudou a manter a pressão contida nos DIs foi, justamente, o compromisso de Maia com a agenda de reformas. Ontem à noite, o presidente da Câmara deu diversas declarações e disse que a prioridade será dada à PEC emergencial. O deputado disse achar a proposta a mais difícil e a que mais vai gerar desgaste no curto prazo, mas enfatizou que é a proposta que vai trazer soluções “para milhares de brasileiros a partir de 2021”. Os comentários foram feitos ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes, e novamente foram dadas declarações de colaboração entre os dois. “Maia parece, de fato, ter abraçado a agenda e ele realmente faz andar. Definir prioridades é importante. Uma PEC é custosa e ainda mais no atual ambiente, com eleições prestes a ocorrer. Então é preciso focar em apenas uma medida”, afirmam os estrategistas da Tullett Prebon Brasil, em nota enviada a clientes.