Juros intermediários e longos encerram em leve alta

A curva de juros futuros passou por um processo de leve inclinação nesta terça-feira, com as taxas curtas oscilando ao redor da estabilidade e as longas com pequena alta. O movimento teve origem na percepção de que, a despeito de a inflação corrente estar em patamares altos, o Banco Central (BC) deve seguir com a Selic estável pelo máximo de tempo possível. E, para ajudar nessa estratégia, segue impedindo uma valorização maior do dólar. Ao mesmo tempo, a melhora do ambiente externo devido à esperança de acordo para evitar o abismo fiscal dos Estados Unidos impõe avanço às taxas de prazos mais longos.

Ao término da negociação normal na BM&F, o contrato para janeiro de 2014 (180.935 contratos) estava em 7,08%, nivelado ao ajuste, enquanto o DI para janeiro de 2015 (70.370 contratos) indicava 7,65%, de 7,62% na segunda-feira. Entre os vencimentos mais longos, o DI para janeiro de 2017 (100.080 contratos) apontava 8,48%, de 8,44% na véspera, e o contrato para janeiro de 2021 (8.005 contratos) tinha taxa de 9,17%, ante 9,14% no ajuste.

Nos EUA, a esperança de um acordo sobre a questão fiscal foi reforçada depois que o presidente Barack Obama apresentou na segunda-feira uma nova oferta sobre o nível de renda anual de famílias que poderão enfrentar taxas de tributação mais altas. A Casa Branca abandonou seu esforço para elevar os impostos sobre as rendas acima de US$ 250 mil, um elemento chave em sua proposta de arrecadação de tributos e corte de gastos. Em sua última proposta de orçamento, Obama pretende aumentar os impostos sobre as rendas acima de US$ 400 mil, disse uma pessoa próxima às negociações. O patamar é ainda inferior ao limite de US$ 1 milhão recentemente oferecido pelo presidente da Câmara, o republicano John Boehner.

Internamente, a inflação pressionada chegou a impor alta também para as taxas curtas pela manhã. Mas, com o passar do dia, os investidores foram se ajustando à visão de que isso não irá alterar, por enquanto, a estratégia do BC. A Fipe informou que o IPC da segunda quadrissemana de dezembro acelerou para 0,72%, ante 0,70% na primeira leitura mensal. O resultado ficou levemente acima da mediana das estimativas, de 0,71%, encontrada pelo AE Projeções.

Pelo lado da atividade, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou a pesquisa Sondagem Industrial. O nível da produção caiu para 49,8 pontos em novembro, ante 54,9 pontos em outubro. Em novembro do ano passado, o nível de produção era também de 49,8 pontos. O nível de utilização da capacidade instalada ficou em 74% em novembro, o mesmo porcentual de outubro, mas abaixo da marca de 75% em novembro do ano passado.

Enquanto isso, o BC segue agindo para conter o ímpeto do dólar e ajustar a liquidez do mercado nesse período de remessas externas. Mesmo porque, o próprio presidente do BC, Alexandre Tombini, admitiu na semana passada que qualquer movimento do câmbio tem que considerar também o controle da inflação. Assim, antes mesmo da abertura dos mercados, a autoridade monetária flexibilizou mais uma medida cambial, estendendo de US$ 1 bilhão para US$ 3 bilhões o limite de posição vendida em dólar das instituições financeiras livre de depósito compulsório. Além disso, promoveu três leilões de linha - venda com compromisso de recompra.

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