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Juros futuros voltam a sofrer pressão após leilão do Tesouro

Victor Rezende
·2 minutos de leitura

Ficou o alerta de que o mercado deseja mais prêmio para ajudar a financiar a dívida pública O mercado de juros voltou a viver um dia de estresse nesta quinta-feira, com alta significativa das taxas futuras ao longo da curva. Os trechos intermediários e mais longos da curva foram os que novamente tiveram pressão mais acentuada, em um movimento que se intensificou após a divulgação do resultado do leilão semanal de títulos públicos do Tesouro Nacional, que voltou a emitir o alerta de que o mercado deseja mais prêmio para ajudar a financiar a dívida pública. Por volta de 14 horas, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passava de 3,05% no ajuste de ontem para 3,13%; a do DI para janeiro de 2023 saltava de 4,51% para 4,61%; a do contrato para janeiro de 2025 escalava de 6,50% para 6,60%; e a do DI para janeiro de 2027 subia de 7,48% para 7,56%. Desde o início do dia, os agentes já se antecipavam ao leilão de prefixados, com as taxas em ligeira alta, especialmente as de médio prazo. Ao longo da manhã, o avanço dos juros futuros se intensificou, principalmente após o Tesouro voltar a elevar a oferta de LTNs de longo prazo (para janeiro de 2024) de 2 milhões na semana passada para 6 milhões hoje. Não por acaso, o prêmio pedido pelo mercado em relação aos juros futuros foi maior: passou de 20,8 pontos-base na semana passada para 28,5 hoje. O resultado veio dentro da expectativa do mercado, mas outro sinal de alerta foi emitido pelas LTNs que vencem em outubro de 2022. O Tesouro elevou a oferta desses papéis de 2 milhões para 4 milhões, mas não conseguiu vender o lote integral. Além disso, o prêmio pedido pelo mercado em relação aos juros futuros passou de 17 pontos-base para 21, acima do consenso (20 pontos-base). Vale apontar, ainda, a oferta de LFTs que vencem em março de 2027 como estratégia para tentar recuperar a demanda por esses títulos, já que foi a primeira vez que esse papel foi ofertado. Os riscos fiscais também foram abordado pelo presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, em evento do J.P. Morgan. Conforme apurou o Valor, o dirigente reforçou o tom em relação ao debate fiscal e disse que se o teto for rompido ou se o regime fiscal for flexibilizado com alguma espécie de contabilidade criativa, o “forward guidance” [diretriz futuro] da instituição de juros baixos por um período prolongado será suspenso. investimento; dinheiro; cifrão; juros Unsplash