Juros futuros voltam a seguir movimento do dólar e caem

As taxas futuras de juros terminaram esta sexta-feira em queda, mais uma vez acompanhando o movimento do dólar, como vem ocorrendo, aliás, nos últimos pregões. Pela manhã, quando o dólar subia, as taxas permaneceram perto da estabilidade. Mas assim que o Banco Central atuou por meio de um leilão de swap cambial tradicional, o dólar transformou os ganhos em perdas e foi acompanhado pelo mercado de juros, que também passou a cair. Além disso, no meio da tarde, dois indicadores fracos de atividade ajudaram a consolidar a queda. A arrecadação de tributos em outubro seguiu titubeante, apesar de ter ficado em linha com o esperado. Mas a criação de postos de trabalho em outubro decepcionou.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o juro com vencimento em janeiro de 2015 (111.480 contratos) indicava mínima de 7,97%, de 8,03% no ajuste. Na parte longa da curva, o contrato com vencimento em janeiro de 2017 (192.130 contratos) estava em 8,76%, de 8,82% de ontem. A taxa para janeiro de 2021 (5.400 contratos) projetava 9,41%, ante 9,46% no ajuste. No trecho mais curto da curva de juros, a taxa para janeiro de 2013 (16.000 contratos) estava em 7,075%, de 7,06% na véspera, com o mercado precificando estabilidade da Selic no encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima semana. O DI para janeiro de 2014 (171.495 contratos) marcava mínima de 7,33%, de 7,35% na quinta-feira.

"As taxas de juros subiram com o dólar e caíram com ele", resumiu um operador, lembrando que o avanço do dólar traz preocupações sobre o comportamento da inflação. Na máxima verificada logo cedo, o dólar à vista foi a R$ 2,1170, em alta de 0,95%. Com isso, já no fim da manhã, a autoridade monetária anunciou leilão de 62,8 mil contratos de swap cambial (ou US$ 3,140 bilhões) para 3 de dezembro, o que acabou antecipando a liquidação de mais da metade do vencimento de swap cambial reverso previsto para a mesma data.

A operação resultou na inversão de sinal do dólar, que terminou cotado a R$ 2,0830 no balcão, com queda de 0,67%. Mais cedo, a moeda dos EUA subia também em reação a declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, o câmbio está em uma "posição razoável, não ainda totalmente satisfatória e já dá sinais de melhora". O mercado interpretou a fala como um sinal de que o governo toleraria níveis mais elevados para o dólar.

Mas se a virada do dólar para baixo foi o estopim para o recuo dos juros, os dados de emprego e arrecadação ajudaram a consolidar este movimento. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o saldo líquido de postos formais gerados em outubro foi de 66.988 - abaixo do piso do intervalo das estimativas coletadas pelo AE Projeções, de 75 mil a 120 mil. E a Receita Federal informou que a arrecadação somou R$ 90,516 bilhões em outubro, com queda real de 3,27% em relação a outubro de 2011 e avanço de 15,05% em relação a setembro de 2012.

No exterior, o clima positivo derivou de um dado alemão. O índice de confiança das empresas da Alemanha medido pelo instituto IFO subiu para 101,4 em novembro, de 100,0 em outubro. A previsão dos economistas era de recuo para 99,5. Mas o volume de negócios no mercado global seguiu baixo hoje, dia de sessão encurtada nos EUA devido à Black Friday e após o feriado de Ação de Graças na quinta-feira.

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