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Juros futuros terminam dia em queda expressiva após ação conjunta de BCs

Victor Rezende

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do DI para janeiro de 2021 caiu de 4,95% para 4,19% e a do DI para janeiro de 2025 passou de 8,22% para 7,22% Em um movimento contrário ao de quinta-feira (12), as taxas futuras de juros encerraram o pregão regular desta sexta-feira (13) em queda expressiva diante de pregões mais calmos nos mercados globais, após o anúncio de medidas de governos e de bancos centrais pelo mundo para tentar reverter os efeitos do novo coronavírus (covid-19) na economia. Apesar disso, a inclinação da curva a termo se manteve em níveis expressivos, acima de 4 pontos percentuais.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 caiu de 4,95% no ajuste anterior para 4,19%; a do DI para janeiro de 2022 recuou de 6,20% para 5,31%; a do contrato para janeiro de 2023 cedeu de 7,26% para 6,23%; e a do DI para janeiro de 2025 passou de 8,22% para 7,22%. Já a diferença entre as taxas dos DIs para janeiro de 2021 e de 2029 ficou em 4,11 pontos percentuais.

Diversos bancos centrais têm adotado medidas, em alguns casos emergenciais, para injetar liquidez no sistema financeiro e dar mais apoio à economia. Ontem, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) anunciou uma operação de US$ 1,5 trilhão em liquidez no mercado monetário e, hoje, informou a compra de US$ 33 bilhões em títulos do Tesouro americano (Treasuries). Além disso, o Banco do Canadá (BoC) reduziu a taxa básica de juros de forma surpresa em 0,50 ponto percentual, para 0,75%; o banco central da Noruega corto o juro básico em 0,50 ponto, para 1%; e o Banco do Povo da China (PBoC) reduziu o compulsório bancário.

Por aqui, as atenções se voltam à reunião de semana que vem do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, enquanto os agentes se dividem nas apostas de um corte de 0,25 ponto percentual, de uma redução de 0,50 ponto ou na manutenção da taxa nos atuais 4,25%.

O economista-chefe da Itaú Asset Management, Felipe Tãmega, por exemplo, acredita que o choque promovido pelo novo coronavírus tende a ser “muito negativo” para a atividade econômica e nota que o efeito final é deflacionário, o que abre as portas para medidas adicionais de estímulo pelo Banco Central. Em comentários feitos em vídeo do Itaú Personnalité, Tâmega afirma, ainda, que a autoridade monetária pode usar outras medidas além de cortes na Selic para dar apoio à economia, como redução do compulsório e mudanças na regulamentação sobre crédito.

De acordo com Tâmega, a equipe da Itaú Asset estima que a redução do compulsório sobre depósitos a prazo efetuada no mês passado deve ter tido um efeito equivalente a um corte de 0,60 ponto percentual de cortes nos juros. “Foi muito relevante, mas, ainda assim, temos algo como R$ 380 bilhões em compulsórios que poderiam ser liberados. Há algum espaço para o BC, se achar necessário, dar um pouco de liquidez via compulsório. Está dentro do arsenal que pode ser usado.”

“O mercado, no geral, está bem sensível ao noticiário, bastante machucado. Qualquer coisa que sai do normal vira uma tempestade em segundos. As taxas caírem é, em boa parte, uma 'zeragem' de posições de ontem. Ninguém aceita ficar posicionado por muito tempo até as coisas se acalmarem”, diz um operador de renda fixa, que prefere não se identificar.