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Juros futuros têm novo dia de queda firme com foco no exterior e no câmbio

Victor Rezende

Nos vértices de curto prazo, as taxas se mantiveram nas mínimas históricas, nesta quarta-feira (3), à medida que novos cortes na Selic permanecem no radar O otimismo que continua em vigor no exterior e que tem propiciado uma queda generalizada do dólar voltou a se refletir no mercado doméstico e deu aval à continuidade do fechamento da curva a termo de juros futuros.

Nos vértices de curto prazo, as taxas se mantiveram nas mínimas históricas, nesta quarta-feira (3), à medida que novos cortes na Selic permanecem no radar. Os agentes ainda digeriram comentários do diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, de que o nível de 2,25% não é “um limite que não podemos cruzar”.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 passou de 2,25% no ajuste anterior para 2,19%; a do DI para janeiro de 2022 cedeu de 3,06% para 3,00%; a do contrato para janeiro de 2023 recuou de 4,09% para 4,02%; a do DI para janeiro de 2025 foi de 5,75% para 5,66%; e a do contrato para janeiro de 2027 caiu de 6,73% para 6,64%.

O rali contínuo dos ativos de risco ganhou apoio adicional, na noite de terça (2), do índice de gerentes de compras (PMI) do setor de serviços da China, que subiu de 44,4 pontos em abril para 55,0 pontos em maio, superando o esperado pelo mercado. Também, nesta manhã, índices de atividade do setor de serviços nos Estados Unidos vieram um pouco acima do esperado e o relatório da ADP sobre o mercado de trabalho americano mostrou um fechamento de 2,76 milhões de postos de trabalho em maio, enquanto a expectativa era de 8,75 milhões de empregos a menos.

“O mundo está no fim da quarentena e o Brasil inicia algo nesse sentido. Além disso, os países mais avançados estão conseguindo controlar bem os casos. Também o câmbio ajudou muito no fechamento da curva hoje, já que vimos uma queda forte do dólar. Juntando com o movimento de ontem, o impacto na curva de juros é evidente”, diz um profissional de renda fixa que prefere não se identificar. Para ele, o cenário aponta, agora, para um novo design de risco, que muda a percepção do BC para as perspectivas de inflação. “O balanço de riscos fica mais tranquilo”, diz.

Por aqui, a surpresa ficou com a produção industrial, que cedeu 18,8% na passagem de março para abril, mas a expectativa do mercado era de um resultado pior, de uma queda em torno de 30%. Embora o tombo tenha sido menor que o projetado, foi a pior leitura do indicador desde o início da série histórica, em 2002. Com a atividade anêmica diante dos efeitos da pandemia, o economista Alexandre Almeida, da CM Capital Markets, acredita em um novo corte de 0,75 ponto percentual da Selic neste mês.

“Pegando toda a fraqueza da economia, tenho dificuldade em enxergar uma recuperação em ‘V’. Penso que será uma retomada muito mais gradual e que precisará de estímulos”, diz Almeida. Assim, ele espera que o BC leve o juro básico a 2,25%, como sinalizado na decisão de política monetária de maio. Com a Selic nesse nível, o economista não acredita em reduções adicionais da taxa.

Já os economistas da Legacy Capital veem um tombo de 9% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e acreditam que a Selic deve chegar ao fim do ciclo entre 1,5% e 1,75%. Para a gestora, o ponto mais baixo da atividade econômica “foi superado” e as próximas semanas tendem a trazer notícias favoráveis sobre a recuperação da economia e sobre o controle da pandemia local e globalmente. A Legacy afirma que aumentou as posições aplicadas em juros nominais e reais no Brasil e também manteve posição aplicada em juros no México por acreditar que o afrouxamento monetário também continuará por lá.

Ao participar de um webinar promovido pela America Chamber of Commerce, Fabio Kanczuk defendeu que a forma como o BC olha para o panorama econômico não mudou. “Ainda tem que equilibrar os dois efeitos, a grande queda de demanda, que pede uma Selic menor; de outro lado, um aumento no risco fiscal, significando em aumento de juro neutro, e pede Selic maior. Tem que olhar os dois para decidir.”

O dirigente afirmou, por outro lado, que a indicação feita pelo colegiado em maio de um último corte de 0,75 ponto na taxa básica neste mês, levando-a a 2,25%, não indica que esse nível seja o “lower bound” do juro brasileiro. Segundo ele, esse é o percentual que, dentro das condições econômicas analisadas dentro do arcabouço do regime de metas, o BC concluiu que seria ótimo para a Selic.