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Juros futuros têm leve alta de olho em relatórios do Banco Central

Lucas Hirata

A espera por novidades da política monetária, em uma semana reforçada de eventos do Banco Central, ajudou a limitar os movimentos nas taxas de juros futuros de curto prazo. No entanto, os vértices da ponta mais longa da curva de juros enfrentaram um ajuste em alta, enquanto os investidores calibram suas posições ao novo cronograma de emissões de títulos públicos.

Na noite de sexta-feira, o Tesouro Nacional informou um novo cronograma de leilões para o segundo semestre, alterando a frequência da oferta de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) de quinzenais para semanais. Além disso, encurtou a oferta de LTN com vencimento de julho de 2024 para janeiro de 2024.

De acordo com analistas, a medida ajuda o Tesouro a manter sua liquidez, mas acaba mostrando um certo incomodo com o cronograma de vencimentos para 2021 ou com o tamanho atual de seu colchão de liquidez.

“É algo que pegou o mercado de surpresa, principalmente por revisar o cronograma, embora pouco altere o processo relacionado ao financiamento da dívida”, diz um profissional. “Essa decisão acabou gerando mais ruído que efeitos práticos. Somando a um dia de liquidez bastante baixa e ausência de fluxos finais nos vértices mais longos, acabou trazendo alguma alta nas taxas, acrescenta.

Às 16h, no fim da sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 ficava em 2,03% (2,02% no ajuste anterior), enquanto a taxa do DI para janeiro de 2022 marcava a 3,03% (3,01% no ajuste anterior) e o DI para janeiro de 2023 ficava em 4,16% (4,14% no ajuste anterior). Já a taxa do DI para janeiro de 2025 avançava a 5,90% (5,82% no ajuste anterior) e a do DI para janeiro de 2027 ficava em 6,90% (6,80% no ajuste anterior).

Sem descuidar do ambiente político e a evolução da covid-19 no exterior, as atenções se concentram nesta semana na ata da última reunião do Copom, quando o colegiado decidiu reduzir a Selic de 3,00% para 2,25%. O documento será conhecido amanhã de manhã e, na quinta-feira, o Banco Central divulga o Relatório Trimestral de Inflação (RTI). Ambos os documentos devem ajudar os investidores a calibrarem as expectativas sobre os rumos da Selic. Enquanto isso, as taxas de juros futuros de curto prazo operam próximas da estabilidade.

Os economistas Leonardo Fonseca e Lucas Vilela, do Credit Suisse, esperam ver uma discussão mais ampla sobre as condições sob as quais um eventual ajuste adicional poderia ocorrer na Selic. “Por um lado, o baixo nível de inflação atual e projetada apoiam um corte adicional na taxa de juros. Por outro lado, as condições financeiras devem permanecer sensíveis às incertezas quanto à evolução da crise da pandemia e ao baixo nível sem precedentes da taxa de juros Selic, exigindo uma postura mais cautelosa nas decisões de política monetária”, afirmam.

Como resultado, a leitura é que o Banco Central mantenha aberta a possibilidade de novos cortes na taxa de juros Selic em suas reuniões, “mas sem uma orientação clara sobre o tamanho desse ajuste ‘residual’”, acrescentam.