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Juros futuros têm leve alta em dia de megaleilão do Tesouro

Victor Rezende

Nos trechos de curto prazo, porém, a perspectiva de cortes adicionais da Selic continuou a chamar atenção dos players Os juros futuros encerraram a sessão regular desta quinta-feira (4) em leve alta, num dia cujo destaque ficou, novamente, com o leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional.

Além disso, o cenário externo contribuiu para um movimento de realização de lucros ao longo da curva a termo. Nos trechos de curto prazo, porém, a perspectiva de cortes adicionais da Selic continuou a chamar atenção dos players, no momento em que mais agentes se unem à perspectiva de que o juro básico testará níveis abaixo de 2%.

No fim do pregão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 caiu de 2,18% no ajuste anterior para 2,165%; a do DI para janeiro de 2022 passou de 3,00% para 3,01%; a do contrato para janeiro de 2023 avançou de 4,03% para 4,05%; a do DI para janeiro de 2025 foi de 5,66% para 5,71%; e a do contrato para janeiro de 2027 subiu de 6,64% para 6,70%.

Com o cenário de atividade econômica deprimida e inflação abaixo da meta, além da melhora do campo externo que proporcionou o alívio das condições financeiras no Brasil, mais agentes veem chance de a Selic testar níveis inferiores a 2% ainda neste ano. É o caso do economista-chefe da AZ Quest, André Muller, que projeta um corte de 0,75 ponto percentual na taxa neste mês, seguido de uma redução de 0,50 ponto em agosto, o que levaria o juro básico a 1,75% no fim do atual ciclo de afrouxamento.

“A valorização recente do câmbio tem um componente global bastante relevante. Nesse contexto, o cenário global permite que o BC trabalhe com diferenciais de juros ainda menores sem um efeito sobre a taxa de câmbio que haveria em outros momentos”, afirma Muller. Para ele, o dólar a R$ 5 “claramente não compromete a inflação” e, nesse sentido, existe espaço para o BC ir além na redução da Selic.

Os economistas Cassiana Fernandez e Vinicius Moreira, do J.P. Morgan, também acreditam que a Selic deve sofrer um corte de 0,75 ponto na reunião deste mês e, em seu cenário base, contemplam uma redução adicional de 0,50 ponto em agosto. “Enquanto as perspectivas fiscais permanecem preocupantes e a tensão política continua alta, o sentimento do mercado em todo o mundo melhorou em meio a um ajuste esperado na conta corrente do Brasil, que reduziu a demanda por dólar, ajudando o real a reverter a maior parte do desempenho abaixo do esperado”, dizem os economistas em relatório.

O J.P. Morgan aponta, ainda, que “o número de novos casos de covid-19 não está se estabilizando e reconhecemos que os riscos de uma recuperação econômica mais fraca estão aumentando enquanto a inflação e as expectativas atuais permanecem bem abaixo das metas”. Assim, os economistas dizem esperar que a política do BC seja recalibrada para um crescimento mais fraco, desinflação mais profunda, salto em conta corrente mais forte e condições financeiras globais mais calmas.

Mesmo com um leilão forte de papéis prefixados realizado pelo Tesouro nesta quinta-feira, a curva a termo se mostrou comportada ao longo do dia e as taxas futuras não tiveram alta expressiva. Hoje, foram ofertadas 14 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN), 2 milhões a mais que o nível de semana passada, e 90% dos papéis foram vendidos. Além disso, o Tesouro também vendeu a oferta integral de 300 mil Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-F).

O dia também foi marcado pela decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), que surpreendeu os agentes do mercado, ao anunciar um aumento de 600 bilhões de euros em seu programa de compras de ativos durante a pandemia (PEPP). O montante do PEPP, agora, é de 1,35 trilhão de euros, o que ajudou a derrubar os rendimentos dos BTPs italianos, dos SPGBs espanhóis e até mesmo dos OATs franceses, sendo que o yield do OAT de dez anos voltou ao terreno negativo, ao cair para -0,08% no fechamento dos negócios de hoje.