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Juros futuros têm dia de queda com inflação abaixo do esperado

Victor Rezende

Um movimento de retirada de prêmio de risco da curva de juros futuros deu o tom dos negócios nesta sexta-feira. Principal catalisador para a queda das taxas, o IPCA-15 referente a novembro ficou abaixo do esperado pelo mercado, que também monitorou comentários feitos ao longo do dia pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Ao término da sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 recuava de 4,73% no ajuste anterior para 4,65%, com um forte giro, de 879.435 contratos; a do DI para janeiro de 2022 passava de 5,41% para 5,32%; a do contrato para janeiro de 2023 cedia de 5,93% para 5,85% e a do DI para janeiro de 2025 caía de 6,50% para 6,42%.

Após dias de expectativas de preços mais altos, que se refletiram na disparada das taxas de inflação implícita, o avanço de 0,14% do IPCA-15 de novembro aliviou a pressão sobre os juros futuros, que experimentaram um dia de queda. O consenso do mercado esperava um número ligeiramente maior (+0,17%), o que fez alguns agentes avaliarem que a perspectiva para medidas de flexibilização adicionais continuam sobre a mesa.

De acordo com o chefe de pesquisa econômica para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, o BC deve reduzir o juro em mais 0,50 ponto percentual em dezembro e voltar a condicionar novos cortes às expectativas de inflação e ao desempenho do real. O banco americano espera que, em 2020, a autoridade monetária implemente um corte de 0,25 ponto na Selic em fevereiro e, depois, mantenha a taxa inalterada ao longo do ano, para dar início a uma normalização somente em 2021.

Ramos espera, ainda, que o Congresso aprove um projeto de lei que estabeleça a autonomia formal do BC. Esse plano, de acordo com o banco, deve contemplar mandatos fixos para os diretores da autoridade monetária brasileira, o que pode ajudar “ainda mais” a ancorar as expectativas de inflação. Essa também é a expectativa de Campos Neto que, em evento organizado pelo Banco do México (Banxico), disse que a independência do BC produz inflação menor e mais estável e afirmou que o projeto de autonomia do BC está próximo de ser votado no Congresso.

O cenário internacional também contribuiu para a queda das taxas futuras, diante de comentários de Trump de que um acordo comercial com a China está “potencialmente muito próximo”. Lá fora, os yields dos Treasuries ganharam força, também apoiados pela recuperação do índice de gerentes de compras (PMI) dos Estados Unidos, que exibiu recuperação em novembro.