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Juros futuros sobem com tom conservador da ata do Copom

Victor Rezende e Lucas Hirata

No fim da sessão regular desta terça, a taxa do DI para janeiro de 2021 subiu de 4,55% para 4,64% e a do DI para janeiro de 2025 avançou de 6,46% para 6,58% Avaliado como conservador, o tom do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na ata da reunião de semana passada, divulgada nesta terça-feira (17), provocou forte ajuste no mercado de juros. Os investidores correram para diminuir a chance de novos cortes na Selic em 2020 e o resultado foi claro: de ponta a ponta, os juros futuros observaram forte recomposição de prêmio de risco e algumas instituições financeiras passaram a adotar tom mais cauteloso quanto ao atual ciclo de flexibilização monetária.

No fim da sessão regular desta terça-feira (17), às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 subiu de 4,55%, no ajuste anterior, para 4,64%; a do DI para janeiro de 2022 saltou de 5,24% para 5,40%; a do contrato para janeiro de 2023 passou de 5,82% para 5,97% e a do DI para janeiro de 2025 avançou de 6,46% para 6,58%.

“Estou confortável com a minha visão de que a última redução dos juros foi neste mês”, disse Roberto Secemski, economista-chefe para Brasil do Barclays. Ele nota que o BC utilizou um tom “construtivo” para descrever a atividade, ao mesmo tempo em que o balanço de riscos mostra um item no lado da inflação mais baixa e três no lado de uma inflação potencialmente mais elevada. Secemski também observa que alguns dirigentes do BC acreditam que as transformações recentes no mercado de crédito e de capitais tendem a aumentar a potência da política monetária.

Avaliação semelhante tem Alberto Ramos, chefe de pesquisa do Goldman Sachs para América Latina. “Destacamos que a linguagem e a orientação futura do Copom são mais neutras do que suas próprias previsões de inflação”, notou o economista, em relatório enviado a clientes. Para ele, as projeções de inflação do Copom “não são inconsistentes” com um pequeno corte de 0,25 ponto percentual na Selic no primeiro trimestre de 2020.

Economista-chefe da Porto Seguro Investimentos, José Pena lembra que, apesar da pressão recente dos preços de proteína animal, as expectativas de inflação para o próximo ano continuaram inalteradas no Boletim Focus desta semana em 3,60%. Para ele, uma parte da alta dos preços da carne pode até mesmo ser devolvida no próximo ano, o que poderia ser condizente com uma nova redução de 0,25 ponto na Selic em fevereiro.

Os economistas do Itaú Unibanco, no entanto, passaram a reconhecer a chance de a Selic permanecer inalterada em 4,5% durante o próximo ano. Para eles, a comunicação do Copom “parece consistente com um plano de voo que levaria a Selic a 4,25% ao ano ao final do ciclo, ou mesmo a manteria estável em 4,5%”. O Itaú mantém a leitura de que o juro cairá a 4% em março, ao avaliar que as projeções de inflação permitem esses novos cortes. Porém o banco acredita que, “no momento, os membros do comitê podem ter uma visão diferente”.

Essa avaliação mais cautelosa por parte do Copom foi o que norteou os negócios no mercado de juros nesta terça-feira, afirma Danilo Alencar, trader de renda fixa da Sicredi Asset. Para ele, o mercado “se apegou” aos sinais da ata de que “a atividade ganhando tração e as mudanças no mercado de crédito podem reduzir a ociosidade da economia de forma mais acelerada do que o previsto”. Assim, os investidores deixaram as projeções de inflação em segundo plano.

Economistas do Citi também deram destaque à discussão sobre a atividade e sobre uma maior eficiência dos mercados de crédito e de capitais. Para eles, a recomendação de cautela do Copom na condução da política monetária e a ausência de menção sobre ajustes adicionais no grau de estímulo reforçam a visão de que o ciclo de cortes nos juros terminou na semana passada e que, assim, a Selic deve ficar estável em 4,5% nas próximas reuniões, o que deve dar apoio ao real.