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Juros futuros sobem com dólar a R$ 4,14

Victor Rezende

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do DI para janeiro de 2021 passou de 4,47% para 4,49% e do DI para janeiro de 2025 avançou de 6,38% para 6,45% Com o comportamento do dólar como principal catalisador, as taxas de juros negociadas no mercado futuro encerraram o pregão regular desta segunda-feira (13) em alta. No foco dos agentes do mercado, os motivos eram os mesmos e dúvidas sobre o ritmo de retomada da economia americana continuaram no centro das atenções. O movimento de recomposição de prêmio de risco foi verificado com mais intensidade nos trechos mais longos da curva a termo, enquanto os mais curtos tiveram alta contida, diante das perspectivas de ações adicionais de flexibilização monetária.

Assim, no fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 passou de 4,47%, no ajuste anterior, para 4,49%; a do DI para janeiro de 2022 foi de 5,15% para 5,18%; a do contrato para janeiro de 2023 subiu de 5,68% para 5,73% e a do DI para janeiro de 2025 avançou de 6,38% para 6,45%. Já o dólar era negociado, às 16h, a R$ 4,1424 (+1,22%), no segmento à vista.

“O real teve o pior desempenho de hoje ante o dólar. Percebemos que grande parte dos fundos nacionais está vendida em dólar ante real e, em um dia sem agenda relevante, a parte técnica entra. Qualquer ação acaba por movimentar o mercado”, afirmou um gestor que preferiu não se identificar. Para ele, esse cenário é reforçado pelos sinais de que, talvez, a atividade econômica não deva acelerar tanto quanto o esperado no fim do ano passado e início de 2020.

Os relatórios mais recentes da Anfavea e da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) colocaram “água na fervura” e já fizeram alguns economistas revisarem para baixo projeções para a produção industrial de dezembro. Nos modelos do Safra, após a inclusão dos dados da ABCR, a estimativa para a produção da indústria brasileira em dezembro passou de queda de 0,2% para recuo de 0,6%.

Inflação

Assim, o gestor nota que o comportamento contido dos juros futuros reflete a perspectiva de que a atividade não mostra uma aceleração tão forte quanto o imaginado, o que abre mais espaço para novos cortes na Selic “mesmo com a comunicação mais dura por parte do Banco Central”. A perspectiva de inflação mais branda, aliás, continuou refletida nas taxas de inflação projetadas nos títulos públicos. De acordo com a Renascença, a inflação implícita para agosto de 2020 está em 3,51%.

Em relatório enviado a clientes, o economista Altair Pereira, do Bradesco BBI, nota que, na semana passada, as curvas dos títulos públicos recuaram, com exceção das NTN-Bs mais curtas. “Pela segunda semana seguida, a NTN-B para agosto de 2020 apresentou alta considerável, passando de juro real negativo de -0,12% no fim de dezembro para 0,89% na última sexta-feira, com alta de 67 pontos-base na semana”, escreve Pereira.

A acomodação da inflação implícita reflete a dissipação do choque nos preços de proteína animal e a perspectiva benigna para os índices de preços, dados os núcleos do IPCA ainda em níveis acomodados em dezembro. No Boletim Focus, do BC, a estimativa mediana do mercado para o índice oficial de inflação caiu de 3,60% para 3,58%, enquanto os investidores continuam a ver um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em fevereiro, que será revertido no fim do ano.

Para Tarik Migliorini, da Versa Asset Management, a alta recente da inflação não deve preocupar e o BC está longe de subir os juros nos próximos meses. Para ele, “na pior das hipóteses, o risco é de que o preço da carne não reverta e a atividade mostre mais vigor, o que levaria o BC a interromper seu ciclo de cortes nos atuais 4,5%”.

Em relatório enviado a clientes, os economistas Rafael Bisinha e Ricardo Aralios Neves, do Santander Private Banking, escrevem que “o mercado ainda procura os patamares justos de preço” para a atual fase do ciclo econômico, tendo em vista que os cortes na Selic vão chegando ao fim e a atividade volta a acelerar. “Tudo isso, no entanto, em um contexto novo na economia brasileira, com inflação controlada, elevada ociosidade dos fatores de produção e riscos estruturais bem menores devido à mudança na dinâmica de endividamento.”