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Juros futuros recuam com reforço das apostas na queda da Selic

Victor Rezende e Lucas Hirata

A taxa do DI para janeiro de 2021 caiu de 4,44% para 4,39% e a do DI para janeiro de 2025 passou de 6,38% para 6,31% O novo tropeço da retomada econômica, agora com a frustração no comércio varejista, deu fôlego para as apostas em uma rodada adicional de estímulos monetários em 2020. Os juros futuros caíram do começo ao fim do pregão desta quarta-feira (15), num movimento bastante pronunciado em trechos intermediários da curva, que são os mais sensíveis às expectativas para o caminho da política monetária.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 caiu de 4,44%, no ajuste anterior, para 4,39%; a do DI para janeiro de 2022 recuou de 5,10% para 5,00%; a do contrato para janeiro de 2023 foi de 5,66% para 5,56%; e a do DI para janeiro de 2025 passou de 6,38% para 6,31%.

“O fraco desempenho do indicador [de varejo] aumenta consideravelmente as chances de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em fevereiro. Se o IBC-Br de novembro, que será divulgado amanhã, apresentar um quadro de recuperação aquém do esperado, acreditamos que a discussão sobre Selic terminal abaixo de 4,25% ganhará força”, aponta a XP, em relatório.

De acordo com o IBGE, as vendas no varejo restrito cresceram 0,6% em novembro na margem, abaixo da mediana de 1,3% dos economistas consultados pelo Valor Data. Já as vendas no varejo ampliado tiveram recuo de 0,5%, ante expectativa de 0,4%.

“Os últimos dados jogam um pouco de água nas previsões de crescimento mais acelerado e mostram que a atividade ainda não está tão forte. Além disso, já começamos a ver um retorno da inflação a níveis bem menores do que os observados em dezembro”, afirma Cássio Andrade Xavier, gestor de renda fixa da Sicredi Asset.

De fato, os últimos dias têm sido marcados por forte queda nas taxas de inflação implícita calculadas a partir dos títulos indexados ao IPCA (NTN-Bs). A inflação implícita para agosto deste ano está, hoje, em 3,22%, enquanto a meta do BC é de 4%. Dado esse cenário, os agentes têm ampliado as apostas em queda das taxas de juros. Nos cálculos da Quantitas, a curva a termo precifica 60% de possibilidade de uma redução de 0,25 ponto percentual no juro básico no mês que vem, de 51% ontem.

Economista-chefe do banco Fibra, Cristiano Oliveira contempla em seu cenário mais uma redução de 0,25 ponto da Selic e diz que o BC usará, em fevereiro, “todo o conjunto de informações de atividade e de ancoragem de expectativas de inflação que estiver disponível”. Para ele, o plano de voo da autoridade monetária indica uma redução adicional dos juros no mês que vem, o que encerraria o ciclo de afrouxamento.

“Existe a possibilidade de mais um corte em março, mas ainda é algo muito distante. A reunião de março do Copom será definida com dados bem mais atualizados e é um pouco prematuro dizer o que o BC fará”, aponta Oliveira.

Diante da incerteza quanto ao fim do ciclo de redução da Selic e após os dados recentes, Xavier, da Sicredi Asset, nota que o mercado passou a alongar suas posições e, por isso, as taxas intermediárias têm queda um pouco mais expressiva. “Se não houver cortes adicionais, a leitura é a de que a taxa básica vai ficar parada por mais tempo. Por isso, os investidores passam a aplicar nos DIs para janeiro de 2022 e para janeiro de 2023”, pontuou.