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Juros futuros recuam com inflação e Trump no foco

Victor Rezende

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do DI para janeiro de 2021 cedeu de 4,49% para 4,455% e o do DI para janeiro de 2025 passou de 6,44% para 6,39% Um ambiente menos belicoso entre Estados Unidos e Irã se instaurou após pronunciamento do presidente americano, Donald Trump, sobre os ataques do Irã a bases dos EUA no Iraque, na noite de terça (7), e se refletiu nos juros futuros, que ampliaram a queda e foram às mínimas do dia durante a tarde desta quarta-feira (8). O fator principal para a queda das taxas, porém, foi a percepção dos agentes do mercado de pressão inflacionária menor do que o previsto no curto prazo.

Assim, no fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 cedeu de 4,49%, no ajuste anterior, para 4,455%; a do DI para janeiro de 2022 caiu de 5,23% para 5,17%; a do contrato para janeiro de 2023 recuou de 5,78% para 5,71% e a do DI para janeiro de 2025 passou de 6,44% para 6,39%.

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Em seu pronunciamento, Trump anunciou sanções econômicas adicionais contra o Irã e sinalizou que novos ataques não devem acontecer. “O povo americano deve celebrar que nenhum soldado americano foi ferido ou morto no ataque. Parece que o Irã está reduzindo sua ameaça”, afirmou o republicano. Além do recuo mais acentuado das taxas, o dólar inverteu os ganhos e passou a operar no nível de R$ 4,04.

“A curva passou a cair um pouco mais após os comentários do Trump, que foram leves, positivos”, disse Cássio Andrade Xavier, gestor de renda fixa da Sicredi Asset.

Ele, contudo, nota que os últimos dias já têm sido de retirada de prêmios de risco da curva a termo, depois de terem ficado pressionadas em dezembro. “Quando olhamos a parte mais longa, níveis mais altos foram testados em dezembro e, agora, temos uma correção.”

O gestor da Sicredi Asset pontua que os dados mais recentes de inflação têm sido mais positivos, um fator que tem dado algum fôlego à percepção de que a Selic pode sofrer novos cortes neste ano e testar o nível de 4%. “O número do IPCA de dezembro vai ser bem importante, principalmente no comportamento dos núcleos. Talvez o mercado fique um pouco estressado, se o choque da carne pesar na alimentação fora do domicílio, mas vemos um comportamento mais benéfico à frente”, disse Xavier.

Essa leitura vai ao encontro da visão de economistas do Bradesco, que esperam um corte final no juro básico em fevereiro para 4,25%. Em relatório enviado a clientes, o banco aponta que os dados do IGP-DI de dezembro indicam que os preços da carne no atacado “já apresentam sinais de descompressão”.

De acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV), o indicador acelerou de 0,85% em novembro para 1,74% em dezembro, abaixo do esperado pelos mercados.

Os economistas do Citi também apontam, em relatório, que a primeira leitura de janeiro do IPC-S também ficou abaixo das expectativas, ao desacelerar de 0,77% em dezembro para 0,57%. “Em suma, o principal argumento é que parece ter sido atingido um ponto de virada nas pressões dos preços da carne bovina, e as reduções na inflação do IPC devem se estender durante os meses seguintes”, disse o banco americano.

Nesse sentido, as taxas de inflação implícita também continuaram a perder força. Cálculos da Renascença apontam que a inflação calculada a partir dos títulos indexados ao IPCA (NTN-Bs) passou de 4,67%, um mês atrás, para 3,87%, agora, nível que já fica abaixo da meta de 4% do Banco Central.