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Juros futuros recuam com dados da produção industrial e à espera do IPCA

Victor Rezende

A taxa do DI para janeiro de 2021 passou de 4,46% para 4,455% e a do DI para janeiro de 2025 cedeu de 6,40% para 6,37% Os números abaixo do esperado da indústria brasileira em novembro se somaram à expectativa de uma pressão inflacionária menor no curto prazo e impuseram um novo dia de queda às taxas de juros negociadas no mercado futuro.

No fim da sessão regular desta quinta-feira (9), às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 passou de 4,46%, no ajuste anterior, para 4,455%; a do DI para janeiro de 2022 caiu de 5,16% para 5,14%; a do contrato para janeiro de 2023 recuou de 5,72% para 5,68% e a do DI para janeiro de 2025 cedeu de 6,40% para 6,37%.

“Estamos esperando que o IPCA fique ao redor de 1,05% em dezembro. Apesar da inflação cheia ser mais alta em dezembro, os núcleos ainda devem se mostrar bem-comportados e o que vemos para os meses seguintes é uma boa amenização dos choques”, disse Andrei Spacov, economista-chefe da Exploritas. Ele nota que o Banco Central, na última reunião do Copom, deu sinais de que deseja terminar o ciclo de flexibilização monetária, mas notou que pode haver novos cortes no juro básico.

O recuo de 1,2% da produção industrial na passagem de outubro para novembro no Brasil — mais acentuado do que o esperado pelo mercado (-0,7%) —, é um dos fatores citados por Spacov. “Apesar de ser bem volátil, o número da indústria coloca uma pulga atrás da orelha sobre se a recuperação da economia está bem encaminhada. É um dado para questionar essa posição. Se juntarmos isso com a trajetória recente do câmbio, é mais um passo para um corte de 0,25 ponto na Selic.”

Quem também espera uma redução de mais 0,25 ponto na taxa básica no mês que vem é o economista-chefe da Tullett-Prebon Brasil, Fernando Montero. Ele nota que a queda na produção industrial é “o primeiro número negativo em um quadro de números bastante positivos entre os grandes indicadores recentes da economia”. Para ele, “caberá à política monetária, na sua próxima reunião, limpar efeitos pontuais nas demandas e ofertas da economia deste último ano”.

A aposta de uma nova redução nos juros tem ganhado força, nos últimos dias, diante de dados de inflação abaixo do esperado pelos agentes. Levantamento da Renascença aponta que a inflação implícita calculada a partir dos títulos indexados ao IPCA (NTN-Bs) passou de 4,62%, um mês atrás, para 3,72%, agora, nível abaixo da meta de 4% do Banco Central.

Economista do BNP Paribas, Gustavo Arruda afirma que os núcleos da inflação devem ser olhados com mais atenção nos próximos meses, após o choque nos preços da carne. “O setor de serviços ainda mostra números de inflação bastante calmos e, por isso, faz mais sentido a calma nos mercados de inflação implícita”, disse o economista.

Nesse cenário, os investidores locais aumentaram as posições líquidas vendidas em taxa de juro, que refletem aposta em redução dos juros, em 173.002 contratos, para 2.093.458 contratos em aberto. Por outro lado, os estrangeiros ampliaram a posição líquida comprada em taxa em 194.752 contratos, para 1.773.705 contratos em aberto, de acordo com dados da B3.

Na ponta longa da curva, as taxas operaram em alta durante boa parte da manhã desta quinta, à espera do leilão do Tesouro que ofertou 2 milhões de NTN-F para 2031 pela primeira vez. A quantidade foi vendida integralmente. Às 16h, a taxa do DI para janeiro de 2031 recuava de 7,20%, no ajuste de quarta (8), para 7,12%, após ter tocado máxima a 7,27% mais cedo.