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Juros futuros recuam com cenário externo e perspectivas para a inflação

Victor Rezende

No fim da sessão regular, a taxa do DI para janeiro de 2021 recuou de 4,71% para 4,67% e a do DI janeiro de 2025 caiu de 6,49% para 6,42% Os juros futuros fecharam a sessão regular desta quarta-feira (4) em queda, diante do cenário de procura por ativos de risco nos mercados internacionais e de queda do dólar. Contribuiu, também, a percepção dos investidores de que a inflação deve continuar em níveis contidos nos próximos anos, a despeito dos choques nos preços de proteína animal vistos recentemente.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 recuou de 4,71%, no ajuste anterior, para 4,67%; a do DI para janeiro de 2022 cedeu de 5,39% para 5,31%; a do contrato para janeiro de 2023 baixou de 5,90% para 5,82% e a do DI para janeiro de 2025 caiu de 6,49% para 6,42%.

O tom favorável a ativos de risco nos mercados internacionais favoreceu a redução de prêmio de risco nos DIs. Logo pela manhã, os índices de gerentes de compras (PMIs) da China e da zona do euro surpreenderam positivamente os mercados e dissiparam temores de uma desaceleração ainda mais intensa da economia global.

Além disso, relatos de que americanos e chineses estariam próximos de um acordo comercial voltaram ao radar dos agentes e também deram espaço para o tom mais otimista nos negócios, num momento em que a atividade já começa a dar sinais mais fortes de retomada, o que contribuiu para a queda do dólar e dos juros futuros. Nesta quarta, o IBGE divulgou que a produção industrial subiu 0,8% entre setembro e outubro, resultado que veio em linha com as estimativas do mercado.

Para Felipe Sichel, estrategista do Modalmais, o conjunto de indicadores econômicos disponível até o momento “leva a crer que teremos mais um bom crescimento econômico no quarto trimestre e em 2020”. Ele avalia que tanto a leitura do terceiro trimestre do Produto Interno Bruto (PIB) quanto a produção industrial de outubro reforçam o sentimento positivo com o ritmo da atividade econômica neste fim de ano.

Apesar disso, analistas notam que o hiato do produto continua bastante aberto, o que contribui para manter os núcleos de inflação ainda bastante contidos. Para a semana que vem, a maior parte dos investidores continua a enxergar um corte de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros, como o Banco Central tem sinalizado nas últimas semanas.

É o caso da Legacy Capital, que acredita que a recente elevação de prêmio de risco na curva de juros favorece suas posições aplicadas. Além disso, para a gestora, os núcleos de inflação, que têm girado em níveis próximos a 2%, devem adotar comportamento semelhante no próximo ano devido à ociosidade da economia e à ancoragem das expectativas.

De acordo com a Legacy, a elevação nos preços de proteína animal neste fim de ano deve fazer a inflação ficar em 3,7% neste ano. Em relação a 2020, porém, a gestora vê o IPCA em 3,5%. “Na nossa visão, grande parte do choque da proteína animal esperado para o ano de 2020 foi antecipado no quarto trimestre [deste ano] e, com isso, esperamos que o preço da carne tenha um espaço menor de aceleração no próximo ano”, afirmou a gestora.