Mercado abrirá em 8 h 9 min

Juros futuros fecham perto da estabilidade de olho no exterior e no BC

Victor Rezende
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Após um pregão com certa volatilidade, os juros futuros encerraram perto da estabilidade nesta sexta-feira (25), acompanhando, de um lado, o tom negativo dos mercados internacionais, que estimulou uma abertura das taxas e, de outro, o tom do Banco Central, que demonstrou, recentemente, tranquilidade em relação ao cenário inflacionário no curto prazo. Assim, no fim da sessão regular, às 16h, o contrato do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 apresentou taxa de 2,83%, a mesma do ajuste anterior, enquanto que o rendimento do DI para janeiro de 2023 caiu de 4,25% para 4,23%. Já a taxa do contrato para janeiro de 2025 passou de 6,21% para 6,23% e a do DI para janeiro de 2027, por sua vez, subiu de 7,19% para 7,22%. A dinâmica do mercado de juros mudou ontem, com a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), cujo conteúdo foi considerado mais favorável a estímulos (“dovish”) pelo mercado, ao mostrar a visão do Banco Central de uma ampla ociosidade na economia brasileira. Embora a autoridade monetária tenha revelado uma projeção de crescimento de 3,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021, um pouco acima do consenso (3,5%), as estimativas de inflação permaneceram bastante confortáveis no horizonte relevante. Como nota Vitor Carvalho, sócio e gestor da Laic-HFM, “o mercado tem a visão, chancelada pelo BC, de que todo o problema da inclinação da curva é 100% fiscal e de que, à medida que se resolvem as questões de âmbito fiscal, haveria espaço para uma melhora desse fator”. Assim, com o alívio do Tesouro Nacional no leilão de ontem e com as informações dadas pelo BC pelo RTI e na coletiva do presidente Roberto Campos Neto, “o mercado ficou bastante doador [aposta na queda das taxas]”. Dados da B3 mostram que os fundos nacionais se aproveitaram da gordura de prêmio, principalmente no “miolo” da curva, e aumentaram a posição líquida doada em 277.810 contratos no pregão de quinta (24), com bancos e investidores estrangeiros na contraparte. No início do pregão de hoje, houve algum respingo do estresse internacional em relação ao aumento dos casos de covid-19 nos países europeus e da incerteza quanto a um novo pacote de estímulos nos Estados Unidos. Nos mercados de juros, a tendência de queda dos rendimentos é observada nos Treasuries, onde o yield da T-note de dez anos recuava para 0,660% por volta de 16h, e nos Bunds alemães, onde o retorno do papel de dez anos caiu a -0,526%. Por aqui, analistas ainda apontam os desafios fiscais como os principais riscos à manutenção da postura acomodatícia na política monetária pelo Banco Central. No momento, a reforma tributária está no foco dos agentes. Na próxima segunda-feira (28), o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), se reunirá com outras lideranças do Congresso para debater a proposta de reforma tributária e o pacto federativo. O encontro também deve ter a participação do presidente Jair Bolsonaro.