Mercado abrirá em 4 h 12 min

Juros futuros fecham perto da estabilidade em semana de decisão do Copom

Lucas Hirata

No fim da sessão regular, a taxa do DI para janeiro de 2021 teve leve queda a 2,13%, ante 2,16% no ajuste anterior; já a do DI para janeiro de 2022 caiu a 3,05%, de 3,07% A despeito da instabilidade global que pressionou alguns dos principais ativos brasileiros, os investidores do mercado de juros mantiveram o sangue frio durante toda a sessão desta segunda-feira (15), enquanto aguardam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na quarta-feira (17).

Além da expectativa de nova redução de 0,75 ponto percentual da taxa básica de juros, analistas acreditam que o colegiado não deve fechar totalmente as portas para rodadas adicionais de cortes no futuro.

Às 16h, no fim da sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 teve leve queda a 2,13%, ante 2,16% no ajuste anterior. Já a taxa do contrato para janeiro de 2022 caiu a 3,05% (3,07% no ajuste anterior) e a do DI para janeiro de 2023 subiu a 4,15% (4,14% no ajuste anterior).

Entre os vencimentos mais longos, o DI para janeiro de 2025 marcou 5,72% (5,68% no ajuste anterior) e o DI para janeiro de 2027 ficou em 6,65% (6,60% no ajuste anterior).

Para a economista-chefe da Veedha, Camila Abdelmalack, o Copom pode até sinalizar, como fez na reunião passada, a propensão em encerrar o ciclo de ajuste da Selic. No entanto, se o cenário exigir, o BC justificará, em agosto, a necessidade de um ajuste adicional, provavelmente em magnitude inferior para testar essa nova fronteira.

“O processo de reabertura das economias é recente e ainda não temos muitas certezas de como será isso no Brasil. É necessário monitorar por mais algum período esse cenário. Por isso, provavelmente ficará em aberto a condução da política monetária em agosto. É um momento um pouco complicado para fazer sinalizações ou se comprometer com alguma ação para 45 dias à frente”, afirma a especialista.

O cenário até aqui tem sido marcado pela inflação cada vez mais baixa, quebra da atividade e abertura do hiato do produto, ou seja, a diferença entre o PIB e seu potencial. No entanto, os principais riscos para quedas futuras da Selic vêm da condução da política fiscal, que é agravada pelo cenário político.

Do lado dos fundamentos, os analistas do Itaú Unibanco acreditam que o Copom deve atualizar suas projeções para a inflação com números ainda mais baixos. A estimativa do colegiado para 2020 devem recuar de 2,4% para 1,8% no cenário híbrido que inclui taxa de câmbio constante e taxa de juros de acordo com a pesquisa Focus, e de 2,3% para 1,8% no cenário de referência. Para 2021, o cenário híbrido deve sair de 3,4% para 3,1%, enquanto o cenário de referência deve mudar de 3,2% para 3,0%.

“Nesse ambiente, considerando uma redução do risco externo e expectativa de propagação menos intensa do vírus, esperamos que a autoridade monetária opte por manter a taxa básica neste patamar extraordinariamente estimulativo de 2,25% a.a. por algum tempo, mesmo com certo risco advindo da trajetória fiscal”, dizem. Por outro lado, se pressões desinflacionárias adicionais continuarem no futuro, isto implicará em uma tendência de redução das projeções de inflação, o que pode abrir espaço para novas quedas da taxa Selic.

O risco fiscal, entretanto, mantém bastante cautela no cenário. Os analistas do Morgan Stanley alertam que, em seu cenário mais pessimista, as medidas de “lockdown” são estendidas, sendo necessário aumentar a ajuda fiscal para trabalhadores e empresas. Neste caso, o Brasil perderia a âncora fiscal ao remover totalmente ou relaxar demais o teto de gastos para 2021, à medida que as demandas sociais aumentam e exigem grandes despesas. Assim, “o banco central precisaria aumentar as taxas mais cedo do que o esperado para conter potenciais saídas de capital e pressões cambiais”, afirmam. Por ora, contudo, o cenário-base no banco é de queda da Selic para 2,25% em 2020 e taxa de 4,75% em 2021.

Hoje, os investidores locais também acompanharam o noticiário em torno da decisão de Mansueto Almeida, secretário do Tesouro Nacional, de deixar o governo. De acordo com analistas, embora a partida deixe alguma apreensão no mercado e acentue a cautela sobre a situação fiscal, não é o motivo de um grande estresse neste momento.

Nesta segunda, o ministério da Economia informou que Bruno Funchal assumirá o cargo em 31 de julho. Funchal está na equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, desde o início do governo de Jair Bolsonaro. É diretor de Programa e foi um dos técnicos responsáveis para elaboração do projeto do Pacto Federativo.