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Juros futuros fecham em queda por expectativa de período longo de taxas baixas

Victor Rezende
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Contração da atividade e percepção de retomada lenta ainda pesam sobre mercados O tombo sofrido pelos rendimentos de títulos públicos mundo afora nesta quinta-feira não deixou a curva de juros brasileira incólume. O encolhimento sofrido pela atividade global no segundo trimestre e a percepção de que o aumento no número de novos casos de covid-19 pode desacelerar a recuperação econômica levaram os juros dos Treasuries a mínimas históricas. Como reflexo, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam a sessão regular também nos pisos históricos, com a visão do investidor de que a Selic deve continuar em níveis baixos por um período prolongado. No fim da sessão regular, a taxa do contrato para janeiro de 2021 ia de 1,92% no ajuste anterior para 1,905%; a do DI para janeiro de 2022 passava de 2,74% para 2,63%; a do contrato para janeiro de 2023 cedia de 3,80% para 3,66%; a do DI para janeiro de 2025 recuava de 5,38% para 5,23%; e a do contrato para janeiro de 2027 caía de 6,29% para 6,14%. As taxas, assim, terminaram o pregão regular em suas mínimas históricas. Os sinais dados ontem pelo Federal Reserve (Fed) quanto a juros em níveis baixos por bastante tempo foram reforçados hoje por indicadores econômicos. Na Alemanha, a primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre mostrou um tombo de 10,1% em relação aos três meses anteriores, em um nível pior do que o esperado por analistas. Já nos Estados Unidos, a primeira estimativa do PIB de abril a junho sofreu um recuo de 32,9% na mesma base comparativa, mas em base anualizada. Além disso, o número de pedidos de seguro-desemprego continuou a crescer pela segunda semana seguida. Com esse contexto em mãos, os juros americanos partiram rumo a novas mínimas históricas. O yield da T-note de cinco anos, por exemplo, chegou a 0,225%. Na avaliação dos estrategistas de renda fixa do Morgan Stanley, o principal foco estará voltado às taxas de juro real, que devem cair ainda mais, em especial no vértice de cinco anos, já que o investidor “se voltará para as deliberações de estímulo fiscal em curso e o anúncio do Tesouro na próxima semana”. Na Alemanha, o yield do Bund de dez anos fechou negociado a -0,540%, após tocar -0,551% na mínima do dia. Já em solo brasileiro, as perspectivas, então, se voltam para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que se reúne na próxima semana. O economista-chefe da Macro Capital, Thiago Pereira, acredita que a autoridade monetária entregará um corte final de 0,25 ponto percentual na Selic e terminará o ciclo com o juro básico em 2% e estacionado nesse nível por um período prolongado. “Vemos estabilidade da Selic em 2% em todo o próximo ano. Nos EUA, o Fed apontou para a demora da normalização do mercado de trabalho na economia americana, que é bastante flexível e se ajusta rapidamente. Se não houver nenhuma catástrofe na situação fiscal relacionada ao teto de gastos, o BC não tem de subir juros em 2021”, afirma Pereira. Ele argumenta que o Brasil sairá da crise com uma sociedade mais pobre, maior nível de desemprego e um cenário que pode pôr juros em níveis bastante estimulativos por um bom tempo. Pixabay