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Juros futuros fecham em queda firme com apoio do exterior e do câmbio

Victor Rezende

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do DI para janeiro de 2021 caiu de 4,01% para 3,91% e a do contrato para janeiro de 2025 recuou de 6,35% para 6,24% Depois de um processo intenso de recomposição de prêmio de risco na curva a termo de juros futuros, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) terminaram a sessão regular desta terça-feira (10) em queda firme, comportamento anotado desde o início do dia diante do ambiente externo mais ameno e da queda do dólar ante o real. O movimento se concentrou nos trechos curtos e intermediários da curva, com os agentes já antecipando a expectativa de a Selic testar níveis ainda mais baixos.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do DI para janeiro de 2021 caiu de 4,01% no ajuste anterior para 3,91%; a do contrato para janeiro de 2022 cedeu de 4,63% para 4,52%; a do DI para janeiro de 2023 passou de 5,37% para 5,22%; e a do contrato para janeiro de 2025 recuou de 6,35% para 6,24%.

“Ficou bem claro que os movimentos de ontem dos mercados foi exagerado, mas esse exagero serviu para que bancos centrais e governantes colocassem na cabeça que algo precisa ser feito para conter os efeitos do novo coronavírus”, disse Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos.

Na segunda (9), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que deve promover um corte de impostos sobre folha de pagamento. Outras medidas de estímulo foram anunciadas na Austrália e no Japão.

Para Franchini, a ação coordenada global deve ter reflexos no Brasil. “Isso pressiona o governo para dar continuidade à agenda de reformas. Nesse cenário de crise mundial, ou o governo começa a ter um bom relacionamento com o Legislativo para aprovar reformas ou podemos ter problemas porque só os cortes nos juros não têm surtido muito efeito na confiança”, afirmou o sócio da Monte Bravo.

Também contribuiu para gerar alívio na curva de juros o fato de o Tesouro Nacional ter cancelado o leilão de títulos prefixados programado para a próxima quinta-feira (12), em uma ação coordenada com o BC. “Com essa ação, o Tesouro sinalizou para o mercado que as taxas estão mais altas do que o nível que ele acha razoável”, afirmou Cássio Andrade Xavier, gestor de renda fixa da Sicredi Asset.

Ele nota, ainda, que apesar da queda dos juros futuros, os vértices de curtíssimo prazo não enfrentaram recuo expressivo. Para Xavier, “as últimas comunicações do BC dão a entender que a autoridade monetária está tentando balizar as apostas do mercado para um corte de 0,25 ponto”. A Sicredi Asset tem como cenário base uma redução de 0,50 ponto percentual na Selic na semana que vem, mas acredita que as chances de um corte de 0,25 ponto “aumentaram consideravelmente”.

Nos cálculos da gestora, a curva a termo de juros futuros indicava, no fechamento da sessão regular, um corte de 0,22 ponto percentual na taxa básica em março e de mais 0,10 ponto na reunião de maio.