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Juros futuros fecham em queda, em dia de ata do Copom

Victor Rezende
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A taxa do DI para janeiro de 2022 passou de 3,00% no ajuste anterior para 2,94% e a do DI para janeiro de 2023 caiu de 4,44% para 4,36% Os juros futuros tiveram uma terça-feira (22) de acomodação, depois de uma forte abertura da curva a termo nos últimos dias, num movimento gerado pelos temores relacionados à sustentabilidade da dívida pública. A ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central ajudou na retirada de prêmio da curva e as taxas futuras se mantiveram em queda durante todo o pregão. No entanto, os vértices de longo prazo encerraram a sessão regular, às 16h, em níveis próximos aos do fechamento da sessão de ontem, num momento em que as preocupações fiscais se mantêm no foco. Assim, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passou de 3,00% no ajuste anterior para 2,94% e a do DI para janeiro de 2023 caiu de 4,44% para 4,36%. Já a taxa do contrato para janeiro de 2025 cedeu de 6,36% para 6,31% e a do DI para janeiro de 2027 recuou de 7,34% para 7,28%. O mercado leu a ata do Copom com um tom mais favorável ao afrouxamento monetário (“dovish”). O reforço na comunicação feito pelo colegiado às condições para a manutenção do “forward guidance” (orientação futura) se somou às expectativas de uma recuperação desigual entre os setores da economia e fez com que as taxas futuras se ajustassem em queda durante todo o dia. Nem mesmo o dólar, que chegou a encostar em R$ 5,50, impediu a retirada de prêmio da curva. Em relatório enviado a clientes, os economistas Cassiana Fernandez, Vinicius Moreira e Cristiano Souza, do J.P. Morgan, notam que a caracterização do crescimento econômico pelo Copom mudou desde a reunião de agosto, com a indicação do colegiado de que o ambiente para economias emergentes agora se mostra relativamente favorável. Além disso, o comitê destaca a incerteza em relação à remoção dos estímulos do governo e a evolução da pandemia. “No início deste mês, revisamos para cima nossa projeção para o PIB de 2020, também refletindo essa recuperação mais forte da atividade brasileira. No entanto, mantivemos nossa projeção para 2021 em 2,5%, o que está significativamente abaixo do consenso, que aponta um crescimento de 3,5% neste momento, por acharmos que a retirada do estímulo fiscal para o cumprimento do teto de gastos deve ser um entrave à demanda interna no início do ano que vem, permitindo que a política monetária permaneça extremamente acomodatícia por mais tempo”, afirmaram os economistas do J.P. Morgan. Também os economistas Tony Volpon e Fabio Ramos, do UBS, afirmam que o Copom não se mostrou impressionado com a recuperação em “V” de alguns setores da economia e reforçou o caráter temporário da alta de alguns preços. Eles notam, ainda, que o colegiado mantém a crença de que a natureza da atual recessão pode ter impacto mais duradouro na demanda do que outras recessões. Para o economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, William Jackson, o aumento da inflação de alimentos no Brasil deve continuar a ser motivo de preocupação para os políticos neste ano, “mas, com o núcleo de inflação extremamente fraco, isso não assustará o Banco Central”. Ele afirma, em nota enviada a clientes, que, diante do grande hiato do produto, “acreditamos que a inflação geral permanecerá abaixo da meta nos próximos trimestres” e avalia que a política monetária permanecerá flexível por mais tempo do que os mercados esperam.