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Juros futuros fecham em queda com câmbio, PIB e títulos dos EUA no radar

Victor Rezende

No fim da sessão regular, a taxa do DI para janeiro de 2021 passou de 4,75% para 4,71% e a do DI janeiro de 2025 cedeu de 6,57% para 6,50% Os juros futuros encerraram o pregão regular desta terça-feira (3) em baixa, alinhados à queda do dólar ante o real e à queda verificada nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) e de outros bônus soberanos, que reagem à possibilidade de extensão dos conflitos comerciais sino-americanos. Os números acima do esperado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre no Brasil também estiveram no radar dos investidores, assim como o comportamento do câmbio, com o dólar testando níveis abaixo de R$ 4,20 em alguns momentos do dia.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 passou de 4,75%, no ajuste anterior, para 4,71%; a do DI para janeiro de 2022 caiu de 5,44% para 5,38%; a do contrato para janeiro de 2023 recuou de 5,96% para 5,90% e a do DI para janeiro de 2025 cedeu de 6,57% para 6,50%.

Diversas instituições financeiras revisaram para cima as projeções para o PIB brasileiro. O Goldman Sachs, por exemplo, espera expansão de 1,2% este ano e de 2,3% em 2020, ante estimativas de 1,0% e 2,2% anteriormente. Já os economistas do Citi elevaram a projeção para o PIB de 2019 de 0,7% para 1,1% e esperam, agora, crescimento de 2,2% no próximo ano (de 1,8% antes).

“Olhando para o futuro, vemos o PIB mantendo o ritmo de crescimento mais forte do terceiro trimestre no quarto trimestre deste ano e nos primeiros três meses de 2020, refletindo não apenas os efeitos defasados do ciclo de flexibilização monetária (taxa Selic a 4,50% no fim do ano), mas também os efeitos temporários da liberação do FGTS”, afirmam os economistas Leonardo Porto, Mauricio Une e Paulo Lopes, do Citi, em relatório enviado a clientes.

Os efeitos defasados da política monetária são observados com atenção pelo Banco Central, que incluiu esse fator no comunicado da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de outubro como um dos motivos para cautela. Com o crescimento econômico mais robusto observado no Brasil, Andres Abadia, economista sênior da Pantheon Macroeconomics, acredita que o ambiente para cortes adicionais no juro básico além de dezembro pode ser deixado para trás.

“No geral, é um relatório sólido [do PIB] e as revisões em alta refletem melhor o desempenho recente da economia, minando o cenário de novos cortes nas taxas de juros no primeiro trimestre”, afirma Abadia. Para ele, os principais indicadores sugerem que a demanda doméstica terá um desempenho ainda melhor no quarto trimestre e no início de 2020, “ajudada por inflação e taxas de juros baixas, bem como pela melhora gradual no mercado de trabalho”.

Trader de renda fixa da Terra Investimentos, Heber Vieira nota que, mesmo com números acima do esperado na expansão, a economia brasileira deve seguir sem grandes pressões inflacionárias. “O crescimento não é absurdo e é sustentável. Além disso, a capacidade ociosa das empresas continua alta e, por isso, não deve haver geração de inflação muito forte”, afirmou. Vieira nota que o tom de otimismo no mercado é um dos motivos para o fechamento da curva dos DIs e das NTN-Bs.

Nos últimos dias, os juros futuros já vinham apresentando forte avanço. Hoje, porém, as taxas acompanharam o recuo do dólar e dos rendimentos dos Treasuries. Lá fora, os agentes reagiram a comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que um acordo com a China depende de sua vontade. Para ele, não há um prazo para que um pacto seja firmado entre os dois países, ao mesmo tempo em que disse que “talvez” seja melhor esperar passar a eleição americana de novembro de 2020 para alcançar um acordo com os chineses.

Lá fora, os rendimentos dos bônus soberanos globais passaram a cair, diante de temores com a economia global no caso de uma extensão das tensões comerciais. Às 16h, o yield da T-note de dez anos caía para 1,707%. Na Europa, o Bund alemão de mesma maturação indicava retorno de -0,346% no fechamento, enquanto o juro do Gilt britânico de dez anos cedia para 0,670%.