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Juros futuros fecham em queda firme com exterior e Renda Cidadã no foco

Victor Rezende
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A taxa do contrato para janeiro de 2025 recuou de 6,62% para 6,52% e a do DI para janeiro de 2027 cedeu de 7,60% para 7,49% Embalados pelo componente externo mais favorável a ativos de risco, os juros futuros encerraram a sessão regular desta quarta-feira (30) em queda forte, no momento em que os investidores se mantiveram atentos a sinais emitidos pelo governo quanto às formas de financiamento do Renda Cidadã. Comentários do ministro da Economia, Paulo Guedes, ajudaram na retirada de prêmio de risco da curva durante a tarde, assim como fatores técnicos, no fechamento de um trimestre marcado pela volatilidade. No fim do pregão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passou de 3,17% no ajuste de ontem para 3,05% e a do DI para janeiro de 2023 caiu de 4,66% para 4,52%. Já a taxa do contrato para janeiro de 2025 recuou de 6,62% para 6,52% e a do DI para janeiro de 2027 cedeu de 7,60% para 7,49%. Depois de uma abertura volátil, os juros futuros se firmaram em queda firme, após a curva sofrer os últimos dias com forte incorporação de prêmio. O alívio veio diante de sinais de que o governo pode desistir de usar os precatórios e o Fundeb para financiar o Renda Cidadã. Apesar disso, os investidores se mantêm atentos à questão fiscal, diante de preocupações crescentes quanto à sustentabilidade das contas públicas nos próximos anos. “Existe certa apreensão com a tentativa de se tornar o auxílio emergencial, que deveria ser temporário, em um projeto permanente e sem contrapartida. Não é uma questão do mercado não ter aprovado, mas a proposta chegou de surpresa e ninguém esperava que, a essa altura do campeonato e neste governo, que tinha uma proposta reformista antes, um projeto como esse seria apresentado”, afirma Sergio Zanini, sócio e gestor da Galapagos Capital. O alívio visto nos juros futuros também foi sentido no mercado secundário de títulos públicos, que tem sentido pressão intensa nas últimas semanas. Apesar disso, é preciso observar que o prêmio pedido pelo mercado pelos papéis da dívida brasileira continua elevado, especialmente em relação às LFTs, papéis atrelados à Selic. Na visão de Zanini, o ambiente de estresse nos títulos públicos foi criado ao longo do ano com a taxa de juros em 2% não sendo atrativa para os investidores e, também, diante da exigência de um prêmio maior pelo mercado em um momento de deterioração fiscal expressiva. “O Tesouro precisa oferecer muito mais títulos do que o apetite que o mercado tem para absorver. Como consequência, o prêmio aumenta. E, com a ausência do investidor estrangeiro no momento, sem apetite para retornar ao mercado brasileiro agora, fica difícil o mercado local absorver tanta dívida assim sem pedir algo a mais”, diz Zanini. Amanhã, as atenções no mercado de juros estarão voltadas ao leilão semanal de prefixados do Tesouro. Ontem, a instituição já tirou o pé em relação às NTN-Bs e, amanhã, vale observar quanto o Tesouro ofertará de papéis prefixados e de LFTs. A maior necessidade de financiamento vem, justamente, do aumento significativo do endividamento brasileiro. Em relatório, o economista-chefe do Bradesco BBI, Dalton Gardimam, diz esperar que o déficit primário alcance 12% do PIB no fim deste ano. “Além disso, em nossa opinião, o cenário atual reforça a necessidade de o governo brasileiro dar continuidade à sua agenda de reformas fiscais, mesmo depois de o pior da crise pandêmica ter passado”, escreve Gardimam. Na manhã de hoje, o Banco Central revelou que o déficit do setor público consolidado foi de R$ 87,6 bilhões em agosto. Durante a tarde, o ministro Paulo Guedes comentou que o programa Renda Cidadã precisa ser financiado por uma receita permanente, e não por um “puxadinho”. Além disso, ele voltou a defender o respeito ao teto de gastos e à responsabilidade fiscal. O mercado, contudo, continua cauteloso em relação aos próximos passos do governo. Hoje, o comportamento mais calmo no mercado de juros também se deveu ao ajuste de carteiras típico no encerramento do terceiro trimestre, que foi marcado pela volatilidade, cujo resultado foi uma curva de juros ainda mais inclinada. Também o componente externo ajudou a dar algum alívio às taxas futuras, com os mercados em Nova York otimistas em torno de um acordo entre republicanos e democratas para um novo pacote de estímulos nos Estados Unidos, apesar da troca de ofensas entre o presidente Donald Trump e o democrata Joe Biden no primeiro debate entre os dois ontem à noite.