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Juros futuros fecham em queda firme após comentários de Maia e Bittar

Victor Rezende
·5 minutos de leitura

As taxas tiveram um dia de queda significativa ao longo da curva, em especial nos trechos intermediários, que haviam sofrido maior incorporação de prêmio nos últimos dias Depois de uma semana de alta intensa das taxas futuras, o alívio com comentários do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do senador Márcio Bittar (MDB-AC) predominou no mercado de juros, diante do reforço dado à manutenção do teto de gastos. As taxas tiveram um dia de queda significativa ao longo da curva, em especial nos trechos intermediários, que haviam sofrido maior incorporação de prêmio nos últimos dias. As atenções, agora, se voltam à quarta-feira (7), data prometida por Bittar para revelar o plano de financiamento do Renda Cidadã. Assim, no fim da sessão regular desta segunda (5), ás 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 recuou de 3,40% no ajuste anterior para 3,25% e a do DI para janeiro de 2023 cedeu de 4,85% para 4,66%. Já a taxa do contrato para janeiro de 2025 caiu de 6,71% para 6,53% e a do DI para janeiro de 2027 passou de 7,60% para 7,46%. Embora os comentários do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do senador Marcio Bittar (MDB-AC) em defesa da adequação do Renda Cidadã ao teto de gastos tenham deixar o mercado mais aliviado, a curva de juros continua a precificar um cenário bastante significativo de aperto monetário, com a Selic em 5% já no fim do ano que vem. É possível observar esse ambiente na própria inclinação da curva, no momento em que a taxa do contrato de DI para janeiro de 2022 está em níveis bem mais elevados que o verificado no DI para janeiro de 2021. De acordo com cálculos da Renascença, a curva apontava para 40% de chance de um aumento de 0,25 ponto percentual na Selic já na reunião deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e para 88,2% de possibilidade de uma redução de mesma magnitude em dezembro. Além disso, a curva precifica a Selic um pouco acima de 5% no fim de 2021. O mercado tem visto probabilidade crescente de um cenário fiscalmente pior e que teria como consequência uma necessidade de reversão da política monetária mais cedo do que se espera, avalia o economista-chefe da TRUXT Investimentos, Arthur Carvalho. “O que está nos preços do mercado agora é uma ponderação de diferentes cenários: ou vamos ficar com uma Selic baixa por muito tempo ou vamos ter uma Selic muito mais alta, talvez até maior do que os números mostrados na curva, em 7%, 8%.” De acordo com Carvalho, diante das restrições às fontes de financiamento do programa Renda Cidadã, a gestora carioca não contempla, em seu cenário base, o cumprimento pleno do teto de gastos em 2021. “Cumprir o teto, implementar o Renda Cidadã e estar dentro das restrições que o presidente deu são três coisas que não cabem no mesmo cenário. Ou o presidente cede de alguma forma, ou o teto não é cumprido, ou não vamos ter Renda Cidadã”, diz Carvalho. Ele nota que, embora o governo tente encaixar os três fatores, há uma impossibilidade dessa união, o que gera ruídos para os mercados. Assim, ao colocar em seu cenário básico algum tipo de flexibilização do teto ou de contabilidade criativa, Carvalho aponta que uma normalização da política monetária pode ocorrer antes do esperado. Para ele, em um cenário com o teto mantido inalterado, a Selic terminaria o próximo ano em 3%. No entanto, com alguma flexibilização fiscal em mente, “pode ser que o BC tenha de fazer alguma coisa antes e a mais nos juros”, disse. “Se a questão fiscal se materializar com a percepção de que o teto foi rompido, pode haver altas de juros mais cedo, até porque o próprio BC tem deixado bem claro que reagiria a uma mudança no arcabouço fiscal.” Embora as sinalizações de Bittar e de Maia tenham deixado o caminho aberto para um alívio nos juros futuros após dias seguidos de pressão renovada, a incerteza quanto ao rumo das contas públicas permanece. “O governo não consegue sinalizar que vai resolver a questão do Renda Cidadã e estamos no meio desse impasse. O governo não abre mão do programa, mas inviabilizou as discussões sobre fontes viáveis de financiamento. O mercado viu o risco sobre o teto aumentar e começou a precificar que alguma saída extra-teto pode ser dada para esse programa”, disse Marcos Mollica, gestor do Opportunity. Assim, no momento em que o próprio Banco Central aponta para a política fiscal como o “piloto” do avião, os prêmios na curva de juros se mantêm em níveis elevados. Mollica lembra que, na semana passada, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, deixou claro que, se houver uma mudança na perspectiva da política fiscal, o “forward guidance” (orientação futura) não terá mais validade. O gestor acredita que o recado da autoridade monetária “acendeu a luz amarela no mercado” quanto ao risco de elevações na Selic mais à frente. “Não acreditamos nesse cenário, mas temos que admitir que o risco aumentou. O resumo da situação é que tudo está ligado ao risco fiscal, inclusive a política monetária. E, em um ambiente em que o fiscal desande de vez e o teto de gastos pare de funcionar, aí, sim, o Banco Central eventualmente elevaria os juros.” Não por acaso, em carta referente a setembro, os gestores da Legacy Capital notam que o cenário se tornou mais turvo no Brasil. “Diante da desejabilidade e da necessidade em se ampliar o programa de renda mínima, no atual contexto de elevado desemprego, o teto de gastos deveria forçar a discussão de reformas que reduzem as despesas obrigatórias do governo já no Orçamento de 2021. Porém, o governo e o Congresso hesitaram na proposição dessa pauta”, diz a Legacy. A gestora, assim, avalia que aumentou a probabilidade de flexibilização do teto de gastos em 2021, enquanto as chances de aprovação de reformas estruturais, como o pacto federativo, a tributária e a administrativa diminuíram.