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Juros futuros fecham em queda com melhora do exterior e resultado primário

Marceo Osakabe
·3 minutos de leitura

O resultado primário do governo central veio ligeiramente melhor do que as estimativas de mercado Os juros futuros fecham em queda leve nesta segunda-feira (29), reagindo a uma melhora do ambiente no exterior e também ao resultado primário do governo central, que veio ligeiramente melhor do que as estimativas de mercado. O tom do noticiário ajuda também a devolver a alta registrada na sessão anterior. No encerramento da sessão regular, às 16h, o contrato do Depósito Financeiro (DI) para janeiro de 2021 fechou a 2,07%, de 2,075% no ajuste anterior; o DI janeiro/2022 recuou de 2,97% para 2,95% e o contrato para janeiro de 2023 cedeu de 4,13% para 4,07%. Já o contrato do Depósito Financeiro (DI) para janeiro de 2025 passou de 5,82% para 5,77% e o vencimento de janeiro de 2027 caiu de 6,81% para 6,75%. De forma geral, no entanto, as DIs se mantiveram operando estáveis, como nos últimos pregões, ressentindo a ausência de novos drivers tanto no exterior quanto no Brasil para guiar novas pernadas. “A narrativa 'bullish' [otimista] começou a demonstrar sinais de cansaço, reforçando a visão de que os ‘frutos mais baixos’ já foram colhidos”, diz o TD Securities em comentário matinal. O dado mais importante do dia foi o resultado consolidado do governo central, que teve déficit primário de R$ 126,609 bilhões em maio. O número veio levemente abaixo das estimativas de mercado — o Credit Suisse, por exemplo, projetava déficit de R$ 134,7 bilhões. "As taxas longas operam com pressão baixista após o dado, que demonstra que risco fiscal é um pouco mais atenuado que se esperava", diz Alejandro Ortiz, economista da Guide. De acordo com dados compilados pela Markit, o spread do CDS de 5 anos, uma medida de risco-país, caiu de 269 pontos na sexta-feira para 266 pontos no início da tarde desta segunda. Segundo o secretário do Tesouro, Mansueto de Almeida, o número não causa surpresa e só não foi pior porque não houve pagamento de precatórios. Mansueto, que concedeu sua última coletiva no cargo — ele será substituído por Bruno Funchal, que participou da entrevista —, afirmou que o país caminha para um déficit primário do governo central acima de 9% do PIB e alertou que este pode ultrapassar 11%, caso prosperem as propostas de renovação do auxílio emergencial, que implicaria em gasto adicional de R$ 100 bilhões. O secretário reconheceu que o cenário é difícil e que o debate sobre programas sociais é necessário no momento, mas que a partir de 2022, o governo terá que fazer algo estrutural para ganhar espaço no teto. Lá fora, embora o dia tenha sido de busca de risco, influenciado por dados melhores que o esperado nos Estados Unidos, o ambiente ainda é de incerteza por causa de uma possível segunda onda de contágio pelo novo coronavírus em países que pareciam já haver controlado o surto. Nos Estados Unidos, as autoridades da Flórida, Texas, Califórnia e Arizona, principais focos da doença no momento, impuseram novas restrições e recuaram nos planos de reabertura das atividades. Na China, o governo voltou a aplicar o isolamento para cerca de 500 mil pessoas na região de Pequim. Com este cenário em vista, analistas passaram a precificar um novo corte na Selic ainda este ano. Segundo a Pesquisa Focus divulgada nesta manhã, a mediana das projeções para a Selic no fim desta ano caiu de 2,25% para 2,0%. Já a estimativa para o IPCA subiu na margem de 1,61% para 1,63%.