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Juros futuros fecham em leve queda com foco na atuação do BC

Victor Rezende

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do DI para janeiro de 2021 recuou de 3,88% para 3,825%, e a do DI para janeiro de 2025 cedeu de 6,02% para 6,01% O movimento de recomposição de prêmio na curva a termo de juros futuros perdeu força ao longo da tarde desta sexta-feira (6) e as taxas futuras encerraram o pregão de hoje em leve queda, que ficou concentrada nos vértices de prazo mais curto. Operadores relatam que notícias relacionadas a uma vacina contra o novo coronavírus ajudaram a amenizar a pressão sobre a curva de juros, ao mesmo tempo em que a perspectiva de medidas de afrouxamento monetário pelo BC, no curto prazo, permanece no radar.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 recuou de 3,88% no ajuste anterior para 3,825%, após chegar a 4,04% na máxima do dia; a do DI para janeiro de 2022 caiu de 4,41% para 4,39%; a do contrato para janeiro de 2023 passou de 5,07% para 5,05%; e a do DI para janeiro de 2025 cedeu de 6,02% para 6,01%.

“Estamos em um momento de muitas informações desencontradas. Para o momento, o somatório de ações do Banco Central no câmbio ajudou a conter a alta do dólar, o que também contribuiu para trazer as taxas dos DIs a níveis mais baixos”, afirmou João Maurício Rosal, economista-chefe da Guide Investimentos. Ele nota que houve certa melhora no mercado com as notícias de que a China está próxima de uma vacina, ao mesmo tempo em que o tom da Organização Mundial da Saúde (OMS) também contribuiu para acalmar os mercados após o forte estresse visto na quinta (5) e durante a abertura do pregão de hoje.

A visão de Cassiana Fernandez, economista-chefe do J.P. Morgan, é a de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC deve reduzir a Selic em 0,50 ponto percentual, mesmo após a recente depreciação do real. “Acredito, sim, que a performance do real é um risco e o BC está olhando esse fator de forma bastante atenta”, afirma. Contudo Cassiana alerta que a combinação do câmbio com os preços de commodities continua a indicar um cenário deflacionário à frente.

No horário do fechamento da sessão regular, os preços do petróleo tipo Brent despencavam em torno de 9%, suscitando a perspectiva de uma inflação em níveis ainda mais benignos, apesar do câmbio depreciado. Ontem, o Safra alterou sua projeção para o IPCA deste ano e, agora, espera uma inflação de 3,3%. Além disso, os economistas do banco veem um corte de 0,50 ponto percentual na Selic neste mês e de mais 0,25 ponto em maio, o que levaria o juro básico à mínima histórica de 3,5%.

Já os economistas do Itaú Unibanco anunciaram suas novas projeções nesta sexta-feira e, agora, esperam dois cortes de 0,25 ponto no juro básico, que terminaria o ano em 3,75%. “Entendemos que uma redução dessa magnitude seria coerente com a argumentação do comitê de que os efeitos desinflacionários decorrentes do choque do coronavírus sobre a atividade econômica pesam mais que as pressões advindas de movimentos de preço de ativos financeiros”, escreveram. Eles notam, contudo, que a intervenção recente no câmbio “sugere espaço limitado para uma redução de juros em ritmo acelerado”.