Mercado fechará em 3 h 28 min

Juros futuros fecham em forte alta após leilão do Tesouro

Victor Rezende
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A taxa do DI para janeiro de 2025 escalou de 6,42% para 6,56% e a do DI para janeiro de 2027 saltou de 7,36% para 7,50% Os juros futuros encerraram os negócios desta quinta-feira (15) em alta bastante expressiva ao longo da curva, em especial nos trechos intermediários e longos. O cenário externo mais desafiador fez os agentes embutirem mais prêmio de risco na curva, mas foi o leilão semanal de títulos públicos do Tesouro Nacional que impôs uma alta forte às taxas, diante da oferta maior de LTNs de prazo mais longo (para janeiro de 2024) e do prêmio mais elevado pedido pelo mercado nesses papéis. No fim da sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 subiu de 3,19% no ajuste anterior para 3,30% e a do DI para janeiro de 2023 avançou de 4,55% para 4,68%. Já a taxa do contrato para janeiro de 2025 escalou de 6,42% para 6,56% e a do DI para janeiro de 2027 saltou de 7,36% para 7,50%. Embora a dinâmica tenha sido positiva no mercado de juros futuros nos últimos dois pregões, o prêmio da LTN para janeiro de 2024 em relação ao DI se manteve em níveis bastante altos e ontem voltou a subir. Na terça-feira (13), a diferença entre as taxas estava em 28,5 pontos-base (0,285 ponto percentual) e, ontem, aumentou para 30,2 pontos-base. Hoje, antes do leilão, esse spread se aproximou de 35 pontos-base, de acordo com participantes do mercado. “Os juros futuros vinham caindo e o prêmio das LTNs longas continuou bem alto, já com os players acreditando que, com a dinâmica positiva nos DIs, o Tesouro tentaria vender muito papel. Ontem, mesmo com a queda das taxas futuras, o prêmio da LTN voltou a subir. Isso mostra a crença dos investidores de que o Tesouro vai colocar mais papéis à disposição quando o juro futuro cair”, afirma Fernando Ferez, estrategista-chefe da Renascença. No leilão desta quinta, o Tesouro aumentou a oferta de LTNs para janeiro de 2024 de 3,5 milhões na semana passada para 7 milhões hoje, a uma taxa máxima de 6,1437%, 33,4 pontos-base acima do nível do DI. O resultado não furou o consenso do mercado (35,5 pontos-base), mas mostra a continuidade da abertura de prêmio das LTNs. Além disso, o Tesouro não conseguiu vender a quantidade integral de LFTs, colocando somente 38% do lote de até 1 milhão de papéis. “O leilão pesou”, avalia um gestor de renda fixa que prefere não se identificar. Ele nota que, em termos de risco (dv01, uma métrica associada à variação das taxas de juros), o Tesouro ofertou R$ 4 milhões hoje, nível superior à semana passada, ao tentar ofertar 7 milhões de LTNs de longo prazo. “O Tesouro está colocando mais risco no mercado, que tem pedido mais prêmio. É nítida a abertura das LTNs e o mercado tem testado o Tesouro cada vez mais”, diz o gestor. Para ele, com o Tesouro sancionando 33 pontos-base de prêmio, é possível que esse nível aumente ainda mais nos próximos leilões. “A dinâmica está sendo bastante nociva para quem ‘segura’ as LTNs, mas o Tesouro está insistindo e está pagando o prêmio que o mercado quer. O que vai acontecer no curto prazo em relação a essa dinâmica é o xis da questão”, diz esse gestor. O tom negativo dos negócios no exterior também contribuiu para a alta das taxas. O dólar exibiu valorização generalizada nesta quinta-feira e, no exterior, os juros de países avançados caíram, enquanto os rendimentos de títulos públicos de emergentes e países menos responsáveis fiscalmente avançaram, embora não nos níveis observados no Brasil. Na Turquia, as taxas subiram cerca de 5 pontos-base; na Itália, cerca de 4 pontos; e, no México, apenas 2 pontos-base ao longo da curva.